domingo, 1 de abril de 2018

Analise dos fundos de renda fixa. E atualização do patrimônio de MAR/2018

Uma parte fundamental da carteira de qualquer investidor é a reserva de emergência. Essa reserva vai te dar a tranquilidade de não precisar vender outros ativos caso ocorra algum evento inesperado na sua vida.

Meus gastos ano passado foram de aproximadamente R$ 60'000,00, assim esse é o valor que eu considero adequado para a minha reserva de emergência.

Quando eu comecei a corrida pela IF toda minha reserva de emergência, alias todo meu investimento, estava na poupança.

Se eu tivesse mantido essa reserva de emergência na poupança qual o rendimento hoje?
Com o CDI em 6,64% a.a a poupança esta pagando 4,9% a.a.
Assim R$ 60k rendem em um ano R$ 2940,00 na poupança.

A estratégia que eu uso hoje para a reserva de emergência é deixar o dinheiro aplicado em CDB que pagam 100% do CDI e tem liquidez diária.
Assim R$ 60k rendem em um ano R$ 3984,00
Mas como CDB não é isento de imposto de renda o rendimento é:
Até 180 dias (alicota 22,5%) = R$ 3087,60 – Ganho da poupança R$ 147,60
Mais de 720 dias (alicota 15%) = R$ 3386,40 – Ganho da poupança R$ 446,40

Como bancos grandes não oferecem esse tipo de CDB você precisa ter o trabalho de mandar seu dinheiro para uma corretora. Aí você pensa, eu vou ter essa incomodação toda para ganhar de 0,25% a 0,74% a mais do que se eu deixasse na poupança. Mas vale a pena, esses valores que parecem irrisórios no prazo de 1 ano se tornam relevantes em 20 anos. Renda fixa é isso: brigar pelos centavos.

Comecei a pensar se não tem como eu ganhar alguns "centavos" a mais mudando a minha filosofia de investimento da reserva de emergência.
A primeira mudança é que eu considero que não preciso de toda a reserva com liquidez diária posso ter por exemplo 25k com liquidez diária e 35k com menos liquidez e ganhando mais.

Pesquisando CDB`s com liquidez de 1 ou 2 meses eu posso obter 101% ou 102% do CDI.
Há vários problemas nessa abordagem:
Dá trabalho reinvestir a cada 1 ou dois meses
Com esse tempo eu vou sempre cair na alicota máxima de imposto de renda, comendo boa parte dos lucros.

Outra solução é procurar um fundo de investimento de renda fixa.
Eu sempre tive um preconceito grande contra fundos de investimento, porque realmente existem fundos que são horríveis chegando a render menos que a poupança. Então temos agora mais um trabalho que é escolher um fundo que não seja horrível e renda mais do que 100% do CDI.

Montei uma tabela com os fundos de renda fixa disponíveis na Rico que é a corretora que eu uso:



Aplic. Min = é a quantidade de dinheiro mínima para poder aplicar no fundo.
Liquidez = quanto tempo demora para o dinheiro ficar disponível quando você pede o resgate.
Risco = classificação de risco dado pela corretora.
Rent. 3a = rentabilidade dos últimos 3 anos em % do CDI
Consist. = porcentagem do tempo nos últimos 3 anos que o fundo rendeu mais que o CDI
Sharpe = índice que relaciona rentabilidade e volatilidade
Risco = volatilidade do fundo
Index = calculo arbitrário que considera a rentabilidade, a consistência e o Sharpe

Com base nesses resultados decidi manter minha reserva de emergência em 3 fundos:
Para parte sem liquidez diária: CA Indosuez Vitesse
Para parte com liquidez diária: dividir entre Sparta TOP e Az Quest Luce

* Só agora fazendo essa postagem eu vi que o Sparta TOP não é liquidez diária. Parabéns para mim, vou resgatar o que investi nele. Para liquidez de 30 dias ele não rende o suficiente.

O que eu perco fazendo isso? Principalmente a cobertura do FGC.

Qual o ganho esperado?
35k a 111,85% do CDI = 2599,39
25k a 108,89% do CDI = 1807,57

Considerando a alicota do come cotas de 15% = 3745,92
Ganho da poupança = 805,92 = 1,34% de 60k
Ganho do CDB 100% CDI = 359,52 = 0,6% de 60k

Pronto, uma trabalheira para talvez ganhar 1,34% a mais que a poupança por ano não é pra qualquer um. Mas quem busca a IF não é qualquer um.

Um resumo para ficar fácil de enxergar.
Rendimento de um ano de 60k com CDI em 6,64%:
Poupança: 2940,00
CDB 100%: 3386,40
Mix de fundos: 3745,92

"Esse texto não é de forma alguma indicação de investimento. Não tenho formação na área financeira e todo investimento está sujeito a riscos. Pensem por si próprios."

Atualização de patrimônio MAR/2018:

Patrimônio = R$ 609'460,26
Aporte = R$ 4753,30 (0,78% do patrimônio)
Rentabilidade bruta = -1,25%
Inflação = 0,032%
CDI = 0,52%
%CDI = -240,92%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 3,68%
Inflação acumulada = 1,21%
CDI acumulado = 2,17%

Rentabilidade negativa. Isso é sempre desagradável, mas quem não quer ter rentabilidade negativa deve ficar apenas na renda fixa pós fixada. O que levou a essa rentabilidade negativa foi: título do tesouro IPCA+ 2035 e IVVB11 um ETF que replica o S&P 500.

A queda do IVVB11 não tem segredo, a bolsa americana caiu um pouco.
A queda no tesouro é que eu não entendi, a SELIC foi cortada novamente para 6,5% a.a, o que deveria fazer o tesouro IPCA+ 2035 subir uma vez que ele é pré fixado.

Meus próximos aportes devem ser em renda variável, possivelmente um fundo de ações, pois a parcela dos meus investimentos em renda variável está em 22,8% quando o desejável é 26%.

A parcela de renda variável eu obtenho da seguinte conta: (idade em que eu não quero ter que lidar com as flutuações da bolsa) – (idade atual). Mas eu não sei se essa estratégia é a melhor. Hoje eu tenho como renda variável vários tipos de investimento: ações, ETF, fundo de ações, fundos multimercado e FII.

Na minha estratégia atual eu teria 26% dos investimentos em renda variável hoje e 0% aos 65 anos. Talvez seja interessante separar essa renda variável em alta volatilidade e baixa volatilidade. Assim aos 65 anos eu teria zerado apenas as posições em renda variável de alta volatilidade (ações, ETF, fundos de ações) e manteria os de baixa volatilidade (fundos multimercado, FII). Pois me parece interessante manter os FII que são geradores de renda.

Talvez mais do que desejáveis, os FII sejam obrigatórios no futuro se o Brasil mantiver as taxas de juros baixas. Meu planejamento hoje parte da premissa que o Brasil é ótimo pagador de juros, se no futuro não for assim devo ajustar minha estratégia de investimento. Não acredito nesse juro baixo por muito tempo: reforma da previdência adiada, falta de reforma tributária, governo cada vez mais gastador, sem investimentos em infraestrutura. O juro só está baixo para evitar deflação. Quando entrarmos em um novo ciclo de bonança, isto é, em um novo ciclo de valorização das commodities, nossa falta de investimento em coisas básicas vai mostrar a cara novamente e o governo vai ser obrigado a aumentar os juros para segurar a inflação.

Boa caminhada rumo à IF confrades!

quinta-feira, 1 de março de 2018

A importância de um modelo mental adequado. E atualização do patrimônio de FEV/2018

Ou porque a pobreza é contagiosa.

Antes que venham me atirar pedras não é demérito nenhum ser pobre. Certamente você conhece pessoas pobres que são ótimas: ótimos amigos, ótimos pais, ótimos cidadãos. Mas como é óbvio eles não são bons em uma coisa: melhorar a vida financeira. Assim como não faz sentido você pedir dicas de viagem para alguém que não viaja, não faz sentido pedir conselhos financeiros para quem está preso na espiral da pobreza.

Há vários fatores que prendem uma pessoa na pobreza, o maior deles é como essa pessoa pensa. Mais uma vez vou me usar como exemplo: meus pais eram de pobres, minha mãe nasceu numa colônia de agricultores onde meu avô trabalhava de caseiro em uma chácara. Meu pai era filho de mãe solteira nascido numa periferia braba em São Paulo. Ambos tinham apenas o primário.
 
Ainda assim eles tinham uma ideia fixa, que os filhos tivessem uma vida financeiramente melhor que a deles. Cresci na periferia de uma grande cidade também e graças ao esforço dos meus pais e a ajuda do governo (não dá pra negar isso, a casa onde meus pais moravam foi comprada com juros subsidiados e minha educação foi quase 100% pública) meus pais foram de pobres para classe média e eu hoje pelo critério de Classe Social pelo Novo Critério Brasil sou B2 e pelo critério de Classes Sociais por Faixas de Salário Mínimo sou B, ou seja, estou entre os 5% dos mais ricos do país. Entretanto para chegar aos odiados 1% não é fácil, exige hoje uma renda mensal de R$ 27k.

Eu quero que vocês percebam que apesar de ser grato aos meus pais, para ir mais longe que eles eu tive que pensar diferente. Meus pais tinham um modelo mental que era o seguinte: estude, consiga um bom emprego, trabalhe duro, construa patrimônio.

Meu modelo mental difere um pouco: descubra quais são suas habilidades, descubra o que a sociedade valoriza, estude e se aprimore, trabalhe de forma efetiva, construa ativos e minimize passivos.

O modelo é parecido, mas o diabo está nos detalhes:

O primeiro passo do modelo dos meus pais é o estude, que era entrar na escola depois talvez numa faculdade e acabou. No meu modelo antes de você se aplicar em algum estudo vale a pena analisar suas próprias habilidades e analisar o que a sociedade valoriza. As melhores oportunidades para você ganhar dinheiro são no cruzamento dessas duas coisas. Outra coisa que mudou muito é que o estudo não precisa ser formal. Nós vivemos a era dos autodidatas, há um mundo de conhecimento disponível. Educação formal é essencial para carreiras regulamentadas (engenharia, medicina, direito) e para cumprir pré requisitos (para entrar num concurso x é obrigatório curso y), fora isso é mais importante é realmente saber fazer.

Trabalhar duro. Outro erro. Imagine um gari, ele trabalha duro e pode ser o melhor gari do mundo, mas a sociedade não valoriza seu trabalho, então ele está sempre fadado a ganhar o mínimo possível. Trabalhar de forma efetiva é trabalhar de forma inteligente. Automatize o que for possível, terceirize quando for vantagem, legislação e tecnologias sempre mudam. Adapte-se e sobreviva.

Construa ativos e não apenas patrimônio. Ter múltiplas fontes de renda, algumas passivas, é o que te faz ser verdadeiramente rico e não aparentar ser rico. Me diga quem está mais preparado para enfrentar um período de instabilidade:
 
O camarada 1 que ganha um puta salário de R$ 25k, tem duas casas na praia e dois carros de luxo e gasta todo o salário e não tem reserva de emergência.

O camarada 2 que ganha R$ 10k, mora de aluguel, tem um carro simples, tem uma reserva de emergência de 1 ano de gastos, tem investimentos que rendem mais do que ele gasta por mês.

Se o camarada 1 perde o emprego ele entra em desespero, vai ter que vender casa e carro na correria enquanto faz empréstimo para cobrir contas do dia a dia.

O camarada 2 vai no máximo parar de crescer seus ativos durante um tempo enquanto ele com tranquilidade planeja os próximos passos, seja uma recolocação profissional, seja uma mudança total de vida. É isso que é ser verdadeiramente rico, o melhor que o dinheiro pode comprar é liberdade de escolha. O camarada 1 é escravo dos seus bens, enquanto o camarada 2 faz o dinheiro trabalhar para ele.

Um livro que eu indico fortemente e que mudou meu modelo mental em vários aspectos é conhecidíssimo Pai Rico, Pai Pobre.

Atualização de patrimônio FEV/2018:

Patrimônio = R$ 612'401,54

Aporte = R$ 6314,29

Rentabilidade bruta = 1,59%

Inflação = 0,48%

CDI = 0,54%

%CDI = 296,18%

Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 4,99%

Inflação acumulada = 1,17%

CDI acumulado = 1,65%


Rentabilidade legal, quase 300% do CDI.
Bom aporte devido a 1º parcela do 13º.

O que me chamou a atenção foi uma queda forte na cotação do FII MFII11, pelo que eu pude apurar foi devido a lançamento de novas cotas.

Como eu só olho para o valor dos meus ativos uma vez por mês e tenho coisa melhor para fazer do que acompanhar os mercados diariamente, esse tipo de informação serve apenas como curiosidade. Ficar olhando as cotações dos seus ativos todo dia só vai servir para perder tempo e ficar com vontade de girar patrimônio. Em renda variável eu olho os fundamentos uma vez por ano e se o fundamento ainda for bom eu continuo e for ruim eu retiro meu dinheiro, simples assim.

Ai que a gente vê a importância de diversificar, esse FII representa 0,57% dos meus ativos, o valor dele pode ir a zero que eu não vou perder uma noite de sono.

Agora imagina se eu tivesse dado all-in nesse FII? Será que eu ia dormir tranquilo?


Boa caminhada rumo à IF confrades

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Do que depende a Independencia Financeira? E atualização do patrimonio de JAN/2018

O tempo para atingir independência financeira depende do valor do seu salário?

A resposta é um sonoro NÃO.

Primeiro vamos definir independência financeira (IF). A melhor definição para mim é: "IF é ter um patrimônio em ativos que renda, a uma taxa de juros livre de inflação e impostos, um valor que cubra seus gastos".

Então do que depende o tempo para atingir a IF? Apenas de duas coisas:

* Porcentagem do salário liquido que você economiza

* Taxa de rendimento livre de inflação e impostos que você consegue

Vamos dar um exemplo para ficar mais concreto.

Imagine o humilde Mendigo peão, tem o segundo grau e trabalha numa industria ganhando liquido R$ 1800,00/mês. Com muito esforço ele consegue guardar 15% desse valor.

Economizado: R$ 270

Gasto: R$ 1530

Assim o gasto anual do Mendigo peão é R$ 18'360

Considerando o imposto de renda ele deve ter um rendimento anual de R$ 21'600 para cobrir seus gastos.

Considerando um rendimento conservador anual livre de IR e inflação de 4,50% a.a temos que um patrimônio de R$ 480'000 rende os R$ 21'600 necessários.

E quanto tempo juntando R$ 270 a essa mesma taxa chegamos aos R$ 480'000? 46 anos.

Agora vamos fazer essa mesma conta com o Mendigo desembargador que tem o seu não tão humilde salário de R$ 32'000,00/mês e economiza os mesmos 15%.

Economizado: R$ 4800

Gasto: R$ 27'200

Rendimento anual necessário: R$ 384'000

Montante que gera esse rendimento: R$ 8'533'333

Tempo de trabalho necessário: 46 anos

É óbvio que é infinitamente mais confortável viver com R$ 27'200/mês do que com R$ 1530/mês, mas o que eu quis mostrar com esses exemplos extremos é que ambos vão ter que trabalhar os mesmos 46 anos para atingir a IF.

Fazendo algumas simulações com outras taxas de rendimento chegamos nessa tabela:



Podemos chegar a algumas conclusões interessantes:

Economizar 10% do salário como prega o feijão com arroz das reportagens sobre aposentadoria, vai exigir que você trabalhe pelo menos longos 39 anos, mesmo sendo um gênio das finanças (rendimento de 6,50 a.a).

Economizando 95% do seu salário você poderia se aposentar depois de 1 ano trabalhando. Que sonho né, o difícil é ter um salário bom o suficiente que te permita viver confortavelmente com 5% dele.

Com os dados dessa tabela obtemos esse gráfico:




Onde é possível observar que quanto maior é a porcentagem do salário que você guarda, menos faz diferença a taxa que você obtém.

Acredito que importante é buscar um equilíbrio. Viver com 100% do salário vai te fazer ficar na corrida dos ratos para sempre, viver com 5% do salário é abdicar muito do presente em prol do futuro.

O equilíbrio que me deixa confortável é economizar 50% do meu salário. Considerando a taxa mais conservadora meu tempo esperado de trabalho é de 18 anos até conseguir a IF.

Com a taxa de juros de hoje (NTNB 2050 a 5,42%) eu consigo uma renda perpétua que cobre 53% das minhas despesas atuais, ou seja, com 10 anos de trabalho eu estou praticamente na metade do caminho.

A maior falha dessa simulação é não considerar o crescimento salarial. Quando eu comecei a trabalhar ganhava 20% do que ganho hoje. Mesmo guardando 50% do meu salário naquela época eu caminho para alcançar minha IF com 20 anos de economia e investimento e não os 18 anos da simulação.

Vou parar de trabalhar quando atingir a IF? Possivelmente não. Acho interessante ter uma margem de segurança além da IF, afinal imprevistos podem acontecer e a taxa de juros pode estar muito diferente da de hoje quando eu for me aposentar.

Atualização de patrimônio JAN/2018:

Patrimônio = R$ 596'496,43
Aporte = R$ 4931,23
Rentabilidade bruta = 2,17%
Inflação = 0,3825%
CDI = 0,56%
%CDI = 389,88%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 3,35%
Inflação acumulada = 0,69%
CDI acumulado = 1,11%

O FIM (fundo de investimentos do mendigo) rendeu impressionantes 389,88% do CDI.

Por experiência eu sei que quando há um rendimento muito grande num mês logo vem uma correção nos meses seguintes.

É engraçado o aspecto emocional dos investimentos, quando você tem uma rentabilidade alta como nesse mês, você fica se achando o Warren Buffet dos investimentos. Há uma tendência a querer se premiar quando isso ocorre, ir a um restaurante caro ou comprar alguma coisa cara.

Não premie a flutuação da carteira e sim quando atingir algum marco. Minha primeira comemoração relacionada a dinheiro foi quando eu atingi R$ 500k, a próxima comemoração vai ser nos R$ 750k.

Comparando JAN/2018 com JAN/2017 eu ganhei mais dinheiro (salário+rendimentos) e gastei menos. Acho legal comparar anos diferentes, pois há um aspecto sazonal nos gastos. Quem não conhece aquele amigo que gasta o 13º como se não existisse o amanhã e em janeiro reclama do IPTU, IPVA e material escolar como se essas despesas fossem surpresa? Não sejam esse cara.

Boa caminhada rumo à IF confrades!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Meu histórico financeiro e rentabilidade dez 2017

Poupo a uns 10 anos e invisto a um pouco menos tempo que isso.
Comecei “investindo” igual a quase todo mundo que não tem conhecimento: deixava o dinheiro na poupança.

O ano era 2008, eu com minhas suadas economias na poupança, e o que eu ouvia falar sem parar no noticiário? Da bolsa de valores é claro. Matérias martelavam na minha cabeça a incrível rentabilidade da bolsa no último ano. “Especialistas” diziam com certeza que a bolsa atingiria 200 mil pontos em 1 ano.

Comecei a me sentir um trouxa com o dinheiro na poupança. Petrobras, pré-sal, etc, o resto é história: retirei quase todo o meu dinheiro da poupança e apliquei em PETR4, entrei da forma mais errada possível na bolsa, isso a meses da bolsa desabar espetacularmente com a crise sub prime.

O prejuízo foi meu, mas de quem foi a culpa? Nada mais humano do que procurar culpados.

Foi-se o dinheiro, ficou a lição: não foi culpa da corretora, ela continuou ganhando sua comissão. Não foi culpa da imprensa, ela continuou vendendo jornal. Não foi culpa dos especialistas, eles continuaram ganhando seu salário. A culpa foi minha e somente minha.

Minha por não ter estudado o suficiente, minha por ter dado ouvido a terceiros quando o maior interessado no meu dinheiro sou eu, minha por não ter feito uma gestão de risco, minha por seguir a manada que vai continuar a perder dinheiro a cada ciclo.

Lembro na época que só tinha PETR4 e poupança. Eu conferia a cotação várias vezes por dia, misturava dinheiro com adrenalina e emoção, a receita certa para o desastre.

Hoje meus investimentos estão melhor estruturados. Tenho um plano de alocação que me deixa dormir tranquilo. Gasto 1 hora por mês para acompanhar minha carteira de investimentos e decidir a alocação de recursos, zero preocupação com a cotação de qualquer coisa.

A alocação que me deixa satisfeito hoje é 80% renda fixa e 20% renda variável.

A distribuição está um pouco fora disso porque estou tentando balancear com os aportes sem vender ativos.

Meu patrimônio no final de 2017 é R$ 578’391 dividido da seguinte forma:

Renda fixa = 71,1%
Tesouro direto = 40,8%
CDB = 15,0%
Debêntures = 9,7%
LCI e LCA = 5,6%

Renda variável = 25,9%
Fundos de investimento = 17,6%
Ações e ETF = 6,3%
FII = 1,9%

CC e corretora = 3,0%
Mais um dinheirinho em IOTA que eu nem considero parte do patrimônio.

Aí você me pergunta: como chegou nesse valor? Quais investimentos foram bons e quais foram ruins? Não sei, e um dos motivos desse blog é fazer um acompanhamento melhor das minhas próprias finanças.

Dezembro de 2017 foi o primeiro mês que eu calculei a rentabilidade da minha carteira usando o sistema de cotas. Isso mesmo, quase 10 anos investindo e nunca tinha feito isso. E acreditem tem pessoas com muito mais tempo poupando nunca vão sentir essa necessidade.

Dezembro de 2017:

Patrimônio = R$ 578’391
Rentabilidade bruta = 1,15%
Inflação = 0,31%
CDI = 0,56%
%CDI = 206,69%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 1,15%

domingo, 7 de janeiro de 2018

Apresentação

Um pouco sobre mim:

Nasci em uma família de classe média baixa, meus pais estudaram apenas o primário, acredito que era mais comum antigamente ter menos anos de estudo que agora. Na família éramos a parte pobre, haviam tios concursados e tios empresários, enquanto meus pais tinham empregos simples.

Eu me sentia como um familiar de segunda classe: nunca tinha brinquedos tão legais quanto os dos meus primos, nosso carro velho vivia quebrando, só ia para praia nas férias de favor, etc. Sim é um mimimi de classe média sofre eu sei, mas quando você é criança e não tem o entendimento de como o mundo funciona esse tipo de coisa te marca.

Eu sei que há país a fora pessoas que tiveram e ainda tem condições de vida muito piores, então sou grato a meus pais que me propiciaram duas coisas fundamentais: a mentalidade de que não importa onde você está, você tem que batalhar para melhorar e não ficar reclamando e se vitimizando, e uma ideia férrea de que a educação é muito importante. Lembro de um episódio: sempre fui um aluno abaixo da média e quando tinha uns 14 anos queria abandonar a escola para começar um trabalho de descarregar caminhões de carga numa empresa de logística, e começar a ganhar meu próprio dinheiro. Meus pais nem quiseram ouvir falar disso e me obrigaram a continuar estudando.

Em um determinado ponto da minha vida, durante a adolescência, eu mudei. Como se a insistência dos meus pais com a educação finalmente frutificou, eu tive um "despertar": comecei a ir melhor na escola, virei um rato de biblioteca e me interessei por diversos assuntos que não eram tratados na escola. Até encarei um curso técnico, coisa impensável olhando a maior parte do meus histórico escolar e finalmente cursei engenharia numa universidade pública (nem fiz vestibular para as particulares, pois meus pais não teriam condições de pagar). E hoje trabalho numa empresa de economia mista.

Sobre o objetivo desse blog:

Falar sobre dinheiro é bastante difícil, dinheiro assume um papel maior que o que deveria ter originalmente, que é um intermediário de trocas de produtos e serviços. Dinheiro assume um papel de mostrar o valor intrínseco de uma pessoa. Você é tratado de forma diferente dependendo de quanto dinheiro tem, ou melhor, de quanto dinheiro aparenta ter. Não vou entrar no mérito se isso é certo ou errado, apenas é assim. Ou seja, falar de dinheiro é um tabu.

Falar sobre dinheiro também traz outros problemas de ordem prática.

Problema de segurança: se as pessoas souberem que você tem dinheiro você se coloca em uma posição de risco, simples assim.

Problema do merecimento: por algum motivo louco as pessoas acham que merecem seu dinheiro mais do que você. Quando sabem que você poupa elas tendem a achar que a vida para você está "fácil", assim na cabeça delas você tem o "dever" de compartilhar sua abundância. Elas não conseguem enxergar a única forma de aumentar o patrimônio é o adiamento do consumo. Quando eu era mais inocente conversei sobre dinheiro com um colega de trabalho que ganhava muito mais que eu (mas vivia endividado), o que eu ganhei? Um pedido de empréstimo num valor pornográfico (sei lá, acho que na época o valor pedido equivalia a um ano do meu salário).

Problema do ressentimento: quando descobrem que você poupa, isso de alguma forma é um tapa na cara de quem vive endividado, então eles culpam você ao invés de culpar seus próprios hábitos. Há muita irracionalidade nesse assunto.

Problema da inutilidade: como a educação financeira é um artigo escasso. Quem poupa é uma minoria e quem investe é minoria da minoria, assim informações de qualidade nessa área são raríssimos. Felizmente a internet esta ai para ajudar.

Assim o objetivo é falar de poupança, investimentos e crescimento de patrimônio com pessoas que estão numa mesma sintonia.

No próximo post vou falar da situação dos meus investimentos hoje.