sábado, 1 de agosto de 2026

E o consórcio de carro? É bom? Cuidado com o que você aprende em casa. E atualização do patrimônio de JUL/2026

“A verdadeira justiça social não é o Estado dar o peixe, e sim parar de tributar a vara de pesca.”

Como parece que consórcio vai virar o novo COE e por eu estar envolvido na busca (quase impossível) do carro ideal, resolvi falar do assunto. Terminei de juntar o dinheiro para comprar o carro, agora falta escolher qual comprar, algo bem desafiador, tentar equilibrar: desejo, preço, custos de manutenção, de seguro, desvalorização, confiabilidade.

Saber o que não se quer já ajuda e eu não quero carro só a gasolina, pois hoje o combustível é adulterado por força de lei, logo vão colocar 50% de etanol, quem tem carro a gasolina se ferrou. Outra coisa que eu não quero é um carro elétrico, sei que virou moda, mas para mim é insanidade pegar esses carros com autonomias horríveis para ser o único carro, talvez faça sentido para quem trabalha de uber ou 99% do uso do carro seja trajetos curtos, não é meu caso. Existem elétricos com boa autonomia (mais de 500 km), mas custam mais de 300 mil, beeeem fora da faixa que estou querendo gastar. Um híbrido faria mais sentido, mas como eles ainda são novidades, também estão acima do que estou disposto a pagar, e como não pretendo rodar tanto, esse gasto a mais não se paga, além do mais mesmo essa pretensa economia de combustível pode ser anulada por um carro com seguro mais caro e maior desvalorização.

Interessante como adquirir um carro não é apenas comprar um bem utilitário, ele vem embalado em muitas decisões emocionais. Veja por exemplo os novos elétricos e híbridos chineses, para algumas pessoas comprar esses carros é um grito de ódio contra as montadoras tradicionais, que nos mantêm como reféns há décadas fazendo o governo erguer barreiras para evitar a concorrência. E é claro que tem o clássico mostrar valor para a sociedade através da posse de um carro bom. Já que estou pagando caro eu quero ser admirado, quero que as pessoas olhem para o carro que escolhi e vejam meu bom gosto, quero que admirem, que vejam como eu me dei bem na vida. Quem não quer ser validado por suas escolhas? Pois é, eu também sou humano.

Eu queria gastar até uns 60 mil reais, mas pesquisando carros automáticos nessa faixa só apareceu bomba: batidos, de leilão, com mais de 12 anos de uso. Eu estava com esses valores na cabeça da época que vendi meu carro em 2020, mas parece que depois da pandemia o mercado foi e não voltou. Ali pelos 90 mil começam a aparecer algo aceitável. Mais aí você pensa: vou gastar 100 mil para pegar algo aceitável? Vou colocar mais 10 ou 20 mil e pagar algo que realmente goste, que dê prazer em ter e dirigir.

Então estimo que terei que gastar o dobro do que pretendia inicialmente. É a vida. Se ficar pensando muito não compro nada, fiz um levantamento e gasto R$ 3600 de uber por ano, isso mal paga o IPVA do carro. No fim, nossas escolhas determinam o tamanho da nossa vida, é muito confortável não ter carro e usar só uber, tão confortável que eu estou me enrolando para comprar o carro, mas dentro desse conforto ficam de fora as viagens incríveis que eu fiz de carro, os passeios decididos de última hora, o as vezes apenas entrar no carro, colocar uma boa música, e sair pela madrugada apenas observando a fauna noturna, dirigindo sem destino.

Meu pai sempre teve uma estratégia bem definida para trocar de carro, o consórcio. Funcionava assim, sempre que ele terminava de pagar um consórcio, começava a pagar outro. Eu criança, observando isso, achava genial, pois parecia ser uma estratégia ótima para sempre conseguir trocar de carro sem muito sofrimento. A sorte ditava quando trocaria de carro, ele fazia consórcios de 72 meses, então no máximo em 6 anos estaria de carro novo, quase, com certeza, muito antes disso.

Olhando hoje eu consigo ver quanto dinheiro é jogado fora por utilizar consórcio em vez de simplesmente poupar para trocar de carro.
Simulando um consórcio de 100 mil com prazo de 72 meses (6 anos) dá uma parcela de R$ 1556.
Se você colocar esse mesmo valor todo mês no tesouro SELIC, alcança os 100 mil em 51 meses, ou seja, em um pouco mais de 4 anos tem o dinheiro suficiente para trocar de carro.
Deixou de pagar quase 2 anos de parcela para o consórcio, um valor de aproximadamente 33 mil, um terço do valor do carro.

Mas depois de 4 anos o valor do carro não vai mais ser 100 mil? Então quem poupa não vai conseguir comprar o carro. Está certo, mas as parcelas do consórcio também aumentam conforme o carro fica mais caro.
Se der lance consegue o carro antes no consórcio. Tudo bem, mas se colocar o dinheiro do lance na conta de poupar, também consegue comprar o carro antes. Por exemplo considerando 30 mil de lance, conseguiria poupar o valor do carro em menos de 3 anos.

Sem falar na flexibilidade, poupando, caso tenha algum mês mais apertado, pode simplesmente deixar de poupar aquele mês sem consequências. Se fizer mais horas extras pode poupar mais e acelerar a compra do carro. Se deixar de pagar o consórcio pode ficar com o dinheiro preso até ser contemplado e ainda perder (mais) do dinheiro em multas. Caso já tenha sido contemplado pode perder o bem e ser incluído no Serasa.

Então tem que ficar atento com as coisas que aprendemos em casa. As vezes há novas formas melhores de fazer as coisas. Não podemos também ser muito criticos, pois o tesouro direto nem existia antes de 2002. Talvez com a hiperinflação dos anos 80 e 90, consórcio fosse um bom negócio. Lembro de ter lido um livro do Gustavo Cerbasi onde ele indicava usar cartas de consórcio contemplada como uma boa forma de alavancar o patrimônio.


Patrimônio JUL/2026

Patrimônio = R$ 2’318’491,92
Aporte = R$ -2318,86 (-0,1% patrimônio)
Rentabilidade = -1,35%, acumulado 12m = -3,66%
Inflação = -0,05%, acumulado 12m = 4,49%
CDI = 1,12%, acumulado 12m = 14,43%

Renda dos FII = R$ 6’007,71
Renda da PP = R$ 5’572,88
Renda do Tesouro = R$ 1’407,66
Renda Total = R$ 12’988,25
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000

Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.

Tomei uma multa na corretora por saldo negativo. Fiz uma operação de compra e de venda de ativos diferentes no mesmo dia, já fiz esse tipo de operação diversas vezes, sempre contando que a liquidação seria D+2. Eu até vi em algum lugar que a B3 pretendia mudar a liquidação para D+1, só não sabia que ativos diferentes ficariam com prazos de liquidações diferentes. Então a compra liquidou D+1 e a venda D+2, deixando o saldo negativo por um dia e gerando a cobrança da multa. O complicado que não há a informação clara sobre o prazo de liquidação de cada ativo. Depois de perguntar para 3 IAs e as 3 alucinarem e darem respostas diferentes, acabei matando a charada, ETF de renda variável são D+2 e ETF de renda fixa são D+1. Então a corretora fez o certo e eu paguei pela ignorância. O que eu achei engraçado é que todas as IAs foram extremamente belicosas, querendo que eu abrisse reclamação na ouvidoria, CVM, falasse com o supervisor de backoffice ou de risco operacional. Por isso é bom sempre confirmar as coisas antes de embarcar nessas alucinações da IA, as desgraçadas conseguem ser muito convincentes mesmo estando erradas, isso ainda vai dar muita merda.






Ad augusta, per angusta.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Todo fim é um novo começo. E atualização do patrimônio de JUN/2026

“A vida segue nos forçando a escolhas cruéis.” – Renoir


Nós persistimos.
Para os que virão.

Interessante como as tragédias na história, na ficção sempre são grandiosas. Na vida real as coisas são diferentes… Visitar alguém na UTI é só chato, desconfortável. Sem heróis, apenas pessoas, querendo se afastar desesperadamente daquela situação e tendo a cabeça fodida pela situação fodida. Todo mundo sonha com um grande amor, a mesquinha realidade são duas pessoas tentando levar micro vantagens em cima do parceiro. O desespero é tão grande por ter suas vidas tocadas por algo maior que acreditam em qualquer coisa, igual ao suposto avistamento de OVNI pelo Mayk baguncinha. Viralizou, milhões de seguidores a mais, lucro estimado entre 100 mil e 1 milhão, valores que a maioria das pessoas talvez nem ganhe em suas vidas chatas. Tecido social um pouco mais esgarçado. Não é à toa que ninguém mais quer trabalhar, extremamente doloroso ralar o mês todo por 2 paus e meio, enquanto assiste encantadores de jumentos forrando os bolsos.
Ninguém tem culpa, o Mayk só quer ganhar o dele como influencer e entertainer, as pessoas só querem um pouco de diversão, as marcas só querem visibilidade para vender alguma porcaria descartável.

Esse mês faleceu meu pai. Nada abrupto, já esperado, já estava se degradando, perdendo a liberdade há mais de um ano. É ruim quando alguém morre de repente, mas também é ruim quando morre aos poucos, vai morrendo ainda em vida, sendo corroído pela doença, corroendo os outros em volta.
Quando eu estava longe não conseguia deixar de pensar nele e na doença, mas quando eu estava perto tudo que eu queria era estar longe dali, tudo muito triste, muito doloroso, uma tragédia.

As burocracias e chatices são intermináveis. Agora é encarar o processo de inventário, onde governo, advogado e cartório abocanham uma parte de herança. Eu devo ficar com um imóvel, não vou reclamar, a médio e longo prazo vai me render dinheiro, talvez me possibilitar viver em um lugar melhor. Mas a curto prazo tudo que eu ganho é mais um IPTU e mais um condomínio para pagar.

Se fica uma dica disso tudo é, paguem um plano de funeral, tudo que você não quer nessa hora é ficar se preocupando com despesas do enterro / cremação.


Patrimônio JUN/2026

Patrimônio = R$ 2’352’492,39
Aporte = R$ 4’440,28 (0,19% patrimônio)
Rentabilidade = -1,54%, acumulado 12m = 0,24%
Inflação = 0,62%, acumulado 12m = 4,49%
CDI = 1,07%, acumulado 12m = 14,71%

Renda dos FII = R$ 4’871,20
Renda da PP = R$ 5’572,88
Renda do Tesouro = R$ 1’391,14
Renda Total = R$ 11’835,22
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000

Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.

Esse ano está complicado a rentabilidade. Bitcoin e a marcação dos títulos do tesouro me amassaram esse mês.




 

 

Ad augusta, per angusta.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Lambanças com high yield e atualização do patrimônio de MAI/2026

 “A arte pode ser uma janela e a arte pode ser um espelho. Porém grande arte… a grande arte é as duas coisas. - Clair Obscur.


Os americanos têm um ditado clássico: "Fool me once, shame on you. Fool me twice, shame on me." Em bom português: “Me engane uma vez, a culpa é sua; me engane duas vezes, a culpa é minha.”

Ou seja, cair em um golpe uma vez? O demérito é todo do golpista. Cair no mesmo golpe de novo? Talvez parte do problema seja de quem caiu.

Mas o que dizer do idiota aqui, que caiu três vezes na mesma armadilha?

Existe outro ditado que diz que na internet todo mundo só expõe o seu melhor. Pois eu vou contrariar a lógica do Instagram: vou contar como eu destruí parte do meu patrimônio com péssimos investimentos.

O Começo de Tudo: A Venda do Carro

O ano era 2021. Ainda na incerteza da pandemia, fui mandado para o regime de home office. Como eu não saía para lugar nenhum, meu carro ficou lá, pegando poeira na garagem.

Eu já estava com ele há seis anos e pretendia trocá-lo em breve. Pensei: “É o momento perfeito para vender”.

O preço de tabela era R$ 50 mil. Como era um carro de mercado difícil e com algumas manutenções pendentes, eu aceitaria R$ 40 mil. No fim, pelo contexto da pandemia e pela pressa de evitar contato com muitos compradores, fechei por R$ 35 mil.

Dá para considerar que o “preço justo” seria R$ 42 mil. Como vendi por R$ 35 mil, começamos com uma perda inicial de R$ 7 mil. Mas isso era fichinha perto do que viria.

Round 1: O Canto da Sereia do HCTR11

O que fiz com o dinheiro? Separei R$ 5 mil para um investimento qualquer (que nem lembro) e coloquei R$ 30 mil em um FII que estava bombando na época: o HCTR11 (sim, podem rir).

Paguei R$ 120 por cota, comprando 250 cotas. Na época, elas me pagavam R$ 500 por mês de rendimento. Minha conta de padeiro foi linda: em 24 meses eu receberia R$ 12 mil em proventos, o que compensaria totalmente o prejuízo da venda do carro.

Só que o mercado não quis seguir o meu roteiro:

  • Em 6 meses, o rendimento caiu de R$ 500 para R$ 400.

  • Após 12 meses, caiu para R$ 275.

  • Mais 6 meses se passaram e o valor desabou para R$ 125.

Dos R$ 12 mil que planejei ganhar, recebi apenas R$ 9,5 mil. E o pior: as cotas que valiam R$ 30 mil viraram R$ 14 mil. Prejuízo líquido: R$ 18 mil.

Round 2 e 3: A Ilusão da Diversificação em High Yield

Na minha cabeça, a estratégia de investir em fundos high yield (de alto risco e alto retorno) fazia sentido. Qual era a minha tese?

  1. Que esses fundos dariam problema em algum momento, mas até lá, já teriam pago tanto rendimento que a perda da cota valeria a pena.

  2. Se eu diversificasse em outros fundos da mesma categoria, diminuiria o risco.

Foi assim que nasceram os aportes no DEVA11 e no CACR11.

No DEVA11, calcular o prejuízo é até difícil porque cometi outra clássica "sardinhada": fui comprando mais enquanto a cota caía para fazer preço médio, apostando na recuperação. Comparando meu preço médio com o valor atual, o prejuízo passa de R$ 40 mil.

Eu tinha investido menos no DEVA11 do que no HCTR11 inicialmente. Isso mostra como o hábito de comprar ativos ruins só porque estão "baratos" é um comportamento extremamente destrutivo para o patrimônio.

Já o CACR11 aguentou firme por alguns anos. Mas, recentemente, o fundo não pagou dividendos, e a cota despencou. O prejuízo na tela foi de R$ 35 mil.

Esse, pelo menos, durou tempo suficiente para render R$ 11 mil a mais do que se eu estivesse em um fundo conservador. Descontando isso, o prejuízo real ficou em R$ 24 mil. (Para o fundo empatar, ele precisaria rodar sem problemas por 9 anos. Improvável).

O Saldo do Desastre: R$ 90 mil evaporados

Somando tudo (e em contas de padeiro, sem colocar inflação na conta, o que deixaria o cenário mais horripilante), eu destruí R$ 90 mil.

Mas aqui entra o ponto crucial. Diante de tantas trapalhadas, como eu não fui à ruína? Como eu ainda consigo viver de renda hoje?

Porque eu nunca deixei que nenhum desses ativos representasse mais do que 2% do meu patrimônio total.

Só a diversificação salva. Imagine se, na empolgação dos dividendos gordos, eu tivesse colocado 10%, 30% ou 50% do meu capital nessas teses furadas? Ou pior, dado um all-in como o saudoso blogueiro Pobretão de Vida Ruim fez no passado com uma única ação?

O maior trabalho de um investidor não é achar a próxima grande porrada do mercado; é evitar a ruína. É se manter vivo no jogo para permitir que o tempo e os juros compostos trabalhem.

As lições que ficam:

  • Diversifique de verdade: Não adianta pulverizar o dinheiro em 10 fundos se todos possuem o mesmo perfil de risco de crédito destrutivo.

  • Ativo ruim não vale a pena: Não importa o quão barato pareça estar, sempre pode cair mais. O caminho natural de coisa ruim é valer cada vez menos.

  • Você vai errar: Aceite isso. O segredo é garantir que os seus erros sejam pequenos o suficiente para não te tirarem do jogo.

  • Dá para vencer mesmo cometendo burrices: Você só precisa gerenciar o tamanho do erro, aprender com ele e focar em evoluir.



Patrimônio MAI/2026


Patrimônio = R$ 2’384’902,02

Aporte = R$ 440,00 (0,02% patrimônio)

Rentabilidade = -0,57%, acumulado 12m = 1,81%

Inflação = 0,64%, acumulado 12m = 3,46%

CDI = 1,07%, acumulado 12m = 14,71%


Renda dos FII = R$ 4’495,00

Renda da PP = R$ 5’572,88

Renda do Tesouro = R$ 1’253,29

Renda Total = R$ 11’321,17

Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500

Piso de renda 2026 = R$ 9’000


Plano de investimento para 2026:

Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.

Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.

Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.


Pedi para a IA formatar e deixar o texto mais legível. E acabei achando o texto da IA melhor que o meu. O ponto negativo é, será que caminhamos para tudo ficar com “cara de IA”? No meu caso não vejo grandes perdas, afinal, não sou um Saramago escrevendo. Acho que entramos na era em que o padrão IA torna-se o padrão mínimo, eleva a régua, e quem quer se destacar precisa fazer melhor. Para a grande massa de medíocres, a IA vai fazer melhor, mais rápido e mais barato.

 

A minha queda nos rendimentos dos FII foi maior do que só o CACR11 não pagando, fui rastrear e descobri que o XPIN11 também não pagou. Fui ver porque e descobri que o fundo está sendo liquidado. Fui pego de surpresa, esse é meu nível de acompanhamento. FII eram para me pagar certinho todo mês, não ficar tendo rolo todo mês.




Ad augusta, per angusta.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Atualização do patrimônio de ABR/2026

“Os fortes fazem o que podem e os fracos sofrem o que devem.” - Tucídides

Patrimônio = R$ 2’398’162,40
Aporte = R$ 6’495,31 (0,27% patrimônio)
Rentabilidade = 2,75%, acumulado 12m = 6,29%
Inflação = 1,40%, acumulado 12m = 2,93%
CDI = 1,09%, acumulado 12m = 14,71%

Renda dos FII = R$ 5’610,86
Renda da PP = R$ 5’572,88
Renda do Tesouro = R$ 1’344,17
Renda Total = R$ 12’527,91
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000

Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.

Finalmente um mês positivo esse ano. O total acumulado de perdas nos 3 primeiros meses foi de 110k. Esse mês recuperou 65k. Desafiador o tal de viver de renda, mesmo com toda a matemática calculada, é difícil na prática continuar gastando tranquilo enquanto o patrimônio derrete. Quando eu tinha aportes relevantes ainda dava para ter o consolo de comprar barato, agora as quedas são apenas desagradáveis. Como as quedas fazem parte do jogo e não vão parar de acontecer, me resta lidar o melhor possível com isso.
Como curiosidade a parte dolarizada meu patrimônio ultrapassou os U$100k. Continuo enviando dinheiro ao exterior aproveitando esse respiro na cotação do dólar.

Expectativa zero para essa eleição. Não existe debate algum de projeto de nação, nem de direita, nem de esquerda, nem do executivo, nem do legislativo, nem do judiciário. Existem apenas projetos de poder, lobbys, populismo barato e discussões rasas. Enquanto isso o país enfrenta desafios cada vez maiores, e até uma reforma tributária de criação de um imposto único, que parecia boa para descomplicar, acabou sendo deturpada até o osso virando uma guerra de lobbys para proteger privilégios, o que resultou na criação não de um, mas dois impostos e um monte de isenções arbitrarias resultaram na expectativa da maior alíquota de imposto desse tipo no mundo. Além de prever alíquotas diferentes, para uma alíquota que deveria ser única, com o tal imposto do pecado, o que só vai complicar o que deveria ser simples, abrindo brechas para complicar ainda mais no futuro. Ainda mais sabendo da cabecinha dos ladrões que estão no poder, onde os rolex deles, os carros de graça, os bilhões gastos rodando o mundo é belo e moral, mas para o povo ter um carro, ou uma segunda televisão é “pecado” e deve ser taxado sem dó.

Para não ficar apenas criticando os políticos, eles não existem no vácuo. Eles reagem a incentivos. Então apresentar um projeto de 200 páginas, super bem feito, buscando o que foi feito em lugares que deram certo, não dá voto. O que dá voto é fazer um corte curto, lacrando ou mitando, e mexendo com as emoções do eleitor.

Para não ficar só no choro, como mudar isso? Como eu não tenho nem ideia de como arrumar esse sistema quebrado (é muito mais cômodo apenas criticar). Então fui perguntar para a IA. As soluções que ela deu foram:

Voto Distrital Puro.
Onde o político responde a um bairro ou região específica. Se ele gastar o bilhão no cartão e não trouxer a melhoria para o distrito dele, ele não consegue se esconder atrás da legenda. Acaba com os “puxadores” de voto, tipo Tiririca e Caneta azul. Fica mais fácil o eleitor pressionar o "deputado do bairro" do que um ente abstrato em Brasília.

Educação Financeira e Tributária.
Enquanto o eleitor médio não se der conta de que trabalha 5 meses por ano só para pagar o Estado, não há chance de mudança, pois ele acredita que recebe as coisas de graça.

Fim do Financiamento Público de Campanha.
Enquanto os políticos tiverem R$ 5 bilhões do nosso dinheiro para se promoverem, eles nunca precisarão ser eficientes ou honestos.

Votar com os pés.
Sim, a IA reconheceu que são mudanças muito difíceis de conseguir e que talvez a única solução individual possível seja o terminal 3 do aeroporto de Guarulhos. Achei engraçado essa.







Ad augusta, per angusta.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Patrimonialismo. E atualização do patrimônio de MAR/2026

“Aqueles que desistem da liberdade essencial, por um pouco de segurança temporária, terminarão sem a liberdade e sem a segurança.” - Benjamin Franklin

Eu enxergo que o Brasil opera sob um mecanismo topo-base. Onde as elites, ou seja, o topo, controlam a política por meio de financiamento de campanhas e compra de decisões judiciais de tribunais superiores. E os mais pobres, a base, é mantida alienada por uma educação estatal doutrinadora e de má qualidade técnica, controlada pelo recebimento de migalhas para continuar votando na mesma elite de sempre. E para quem está no meio, sobra pagar a conta, por meio de impostos cada vez mais abusivos e serviços públicos de péssima qualidade.

O patrimonialismo é a chave mestra para entender por que, no Brasil, a máquina pública muitas vezes parece trabalhar contra o cidadão e a favor de si mesma.
Em termos simples, o patrimonialismo ocorre quando desaparece a fronteira entre o que é público e o que é privado. O governante ou o alto funcionário trata o Estado (o patrimônio público) como se fosse sua própria casa ou empresa.
 

No clássico Os Donos do Poder, o jurista Raymundo Faoro argumenta que o Brasil não é governado por uma classe social (como a burguesia), mas por um estamento burocrático.
É um grupo de pessoas (políticos, altos juízes, cúpula do funcionalismo) que se organiza para extrair renda da sociedade. Eles não querem necessariamente o progresso do país, mas a manutenção de seus próprios privilégios (auxílios, super salários, estabilidade absoluta e poder de decisão).
Faoro explica que trouxemos isso de Portugal, onde o Rei era o dono de tudo e distribuía cargos e terras para seus amigos em troca de lealdade. O “amigo do rei” é a figura central do patrimonialismo.
 

Como o Patrimonialismo opera hoje?
O capitalismo de laços. No Brasil, para uma empresa crescer muito, muitas vezes ela não precisa ser a mais eficiente, mas sim ter os contatos certos.
Subsídios e isenções. O governo escolhe “campeões nacionais” para receber empréstimos subsidiados ou perdões de dívidas. Isso sufoca o pequeno empreendedor, a classe média que não tem acesso aos corredores de Brasília e paga o imposto cheio.
O loteamento de cargos. Em uma democracia saudável, cargos técnicos são ocupados por mérito. No patrimonialismo, cargos em estatais e ministérios são moedas de troca.
O político apoia o governo em troca de controlar o orçamento de um ministério.
Isso gera a má qualidade dos serviços, o foco não é a eficiência do serviço prestado à base, mas sim quem vai gerir os contratos e as licitações.
A justiça como privilégio. O patrimonialismo cria uma justiça de dois níveis:
Para o estamento: Um sistema lento, cheio de recursos e blindagens (como o foro privilegiado).
Para o cidadão comum: Um sistema congestionado e punitivo.
 

A Pirâmide do Patrimonialismo Brasileiro
O Estamento -- O Estado é o “provedor” -- O imposto é a sua fonte de renda e poder.
A Elite Econômica -- O Estado é o “sócio” -- O imposto é algo a ser evitado via lobby ou subsídio. O Estado serve para eliminar os concorrentes.
A Classe Média -- O Estado é o “fardo” -- O imposto é uma perda direta de renda sem retorno.
A Base Social -- O Estado é o “salvador” -- O imposto é invisível (embutido no consumo) e o serviço precário é visto como “ajuda”.

Por que é tão difícil mudar?
O patrimonialismo é um sistema de retroalimentação. Para reformar o Estado e reduzir os privilégios, você precisa que os próprios beneficiários dos privilégios votem essas leis. É o que chamamos de "pedir ao peru para votar a favor do Natal".
O resultado é essa sensação de “moedor de carne” para quem está no meio: você trabalha para sustentar uma estrutura que não te protege, educa mal a base para que ela não reclame e garante que o topo nunca perca o padrão de vida.

Os problemas do Brasil são extremamente profundos, mas adivinha o que você verá nas eleições desse ano? O mesmo circo de sempre.

 

Patrimônio de MAR/2026

Patrimônio = R$ 2’327’539,22
Aporte = R$ 10,37 (0% patrimônio)
Rentabilidade = -2,05%, acumulado 12m = 6,80%
Inflação = 0,49%, acumulado 12m = 1,99%
CDI = 1,16%, acumulado 12m = 14,71%

Renda dos FII = R$ 5’615,30
Renda da PP = R$ 5’572,88
Renda do Tesouro = R$ 1’347,06
Renda Total = R$ 12’535,24
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000

Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.

Que fiasco essa guerra contra o Irã. É sério que os americanos entraram nessa patacoada sem plano nenhum para a coisa mais óbvia que o Irã faria se fosse atacado, fechar o estreito de Ormuz?
Enfim, só nos resta acompanhar mais uma merda se desenrolando no mundo e torcer para ser afetado o mínimo.
Como se já não tivéssemos problemas internos o suficiente. O governo avançando o autoritarismo a passos largos com leis da mordaça e a “direita” batendo palmas, rindo e acenando.
CPMI do INSS acabou em uma gigantesca pizza, como era de se esperar.
E normalizamos ministros da suprema corte serem abertamente bandidos.
Que deplorável que eu tenha que concordar com a Carmem Lúcia, o país é formado por 200 milhões de ditadores, onde cada um quer usar a força do judiciário para calar que pensa diferente, em vez de brigar por liberdade para todos.






Ad augusta, per angusta.

domingo, 1 de março de 2026

Cálculo da nova TNRP (Taxa Necessária para a Remuneração do Patrimônio). E atualização do patrimônio de FEV/2026

“Se você tirar a máscara de um Tolo Mascarado, tudo o que resta é um tolo. Se você tirar o tolo de um Tolo Mascarado, tudo o que resta é a máscara.” - Tolos? Mascarados?

A última vez que Calculei minha TNRP foi em fevereiro de 2022. O resultado foi 3,1%.
O que é a TNRP afinal?
É uma taxa de juros que aplicada ao seu patrimônio atual e considerando rendas e despesas que você terá até você morrer, ainda permitiria sobrar algum patrimônio.
Para mais detalhes.
https://viagemlenta.com/quanto-tempo-o-dinheiro-vai-durar-tnrp-planilha-patrimonial/

Então esse calculo parte de várias premissas de renda, gastos e longevidade. Minhas premissas foram:
Premissas de gastos anuais:
Viagens e lazer: 40k pelos primeiros 10 anos, depois diminuindo gradativamente.
Restaurante e mercado: 26k aumentando 1% ao ano.
Transporte: 18k prevendo troca de carro a cada 6 anos.
Saúde 13k aumentando 2,5% ao ano.
Custo de reposição (móveis / roupas / eletrônicos): 8k.
Moradia: 8k nos primeiros 5 anos e depois 14k
Patrimônio terminar com 25% do valor original.

Premissas recebimentos anuais:
Previdência privada: 66k até os 65 anos
INSS: 19k a partir dos 65 anos
Rendimento dos investimentos: TNRP

Com essas premissas chego a uma TNRP é 1,91%, ou seja, isso é quanto meus investimentos têm que render acima da inflação para bancar meus gastos.
Caso não venha realmente nada do INSS a TNRP sobe para 2,32%, ainda muito confortável.

O que essa TNRP me diz?
Que meu plano está bem folgado, possuindo bastante margem de manobra para imprevistos.
Agora eu posso relaxar aproveitando a paz que essa folga me dá, ou aumentar os gastos: morar em um lugar melhor, comprar um carro melhor, comer melhor, viajar mais, doar para familiares, doar para caridade.

Agora vamos imaginar o melhor cenário:
Recebendo INSS de acordo com as regras atuais e com meus investimentos rendendo a taxa de retirada segura brasileira que preserva o patrimônio, calculada pelo colega AA40. https://aposenteaos40.org/2026/01/2026-atualizacao-anual-da-taxa-segura-de-retirada-no-brasil.html
Nesse cenário eu terminaria com um patrimônio acima de 23 milhões em valores de hoje, mais de 4 milhões de dólares, nada mal, mas prefiro usufruir mais do dinheiro do que terminar com essa bolada.


Patrimônio de FEV/2026

Patrimônio = R$ 2’376’291,83
Aporte = R$ 8’324,17 (0,35% patrimônio)
Rentabilidade = -1,57%, acumulado 12m = 10,03%
Inflação = -0,06%, acumulado 12m = 2,22%
CDI = 1,00%, acumulado 12m = 14,43%

Renda dos FII = R$ 5’568,12
Renda da PP = R$ 5’572,88
Renda do Tesouro = R$ 1398,39
Renda Total = R$ 12’539,39
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000

Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.

Recebendo do tesouro Educa+ pelo segundo mês eu já consigo ver uma vantagem frente a previdência privada, a renda é corrigida pela inflação mês a mês, diferente da previdência que tem correção anual. No cenário inflacionário de hoje, 5% por ano, não faz muita diferença. Agora imagina em um cenário de inflação de 40% ao ano, ficar esperando um ano todo pela correção te deixa em uma posição muito pior.
Esse mês novamente bitcoin destruiu a rentabilidade da carteira, se cair para uns U$40k talvez eu compre mais um pouco.



Ad augusta, per angusta.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Ganhos e gastos de 2025. E atualização do patrimônio de JAN/2026

 “Você não está aqui para fazer a escolha, você já escolheu. Você está aqui para entender a escolha feita.” - Oráculo.

Resumo mensal:


Agora na IF não faz mais sentido acompanhar o salário e o aporte, então o salário eu vou manter registro do “salário” do ano, que é meu teto de gastos e cortei o acompanhamento do aporte.

Meu salário para 2026 equivale a 6,48 salários-mínimos. (SM = 1621)
Se chegar a 8 SM eu chego na classe B1, classe média alta. Será que os investimentos me possibilitariam mudar de classe social? Só o tempo dirá.
Meu salário mensal compra 13,76 g de ouro. (1 g = 763)
Meu salário anual compra 1,61 carro do mais barato (kwid = 78400)

2025 teve 4 meses com rendimento negativo e 8 meses com rendimento positivo. Meus investimentos renderam R$ 194’736 o que parece uma boa bolada, mas considerando o montante investido é um rendimento anual de 8,02%, acima da inflação, mas muito abaixo da SELIC.

Minhas despesas ficaram em R$ 5’663; um recorde. Achei que seria mais cauteloso em gastar na IF, mas ter mais tempo livre leva a mais gastos. É bom que quem está se planejando leve isso em conta e preveja um aumento das despesas da ordem de 20%. De qualquer forma os gastos ficaram abaixo do teto que era R$ 9’628. Gastos é uma coisa que você não precisa correr atrás, ele vem naturalmente. Outro erro é viver gastando exatamente o teto de gastos, pois existem custos que estão acontecendo e você não vê: o lugar onde você mora vai se desgastando e em algum momento exigirá reparos, suas roupas, eletrônicos, tudo que você tem, terá que ser substituído. Só a viagem que fiz no final do ano custou R$ 13800, ou R$ 1150 de despesa extra por mês. Então se você gasta todo o dinheiro no dia a dia, fatalmente passará aperto para manter seus bens (e a qualidade de vida) em um bom patamar de conservação.

Mas o maior ganho financeiro se deu em uma área bem específica.

No meu auge salarial eu já de cara deixava anualmente uma bolada de R$ 55’000 em IR para o governo. Mais R$ 11’800 de INSS. Um total de R$ 66’800. Uma alíquota efetiva de imposto sobre a renda de 24,30%.
Ou seja, do que eu produzia, ficava efetivamente para mim 75,7% o resto era perdido em tributação da renda e do trabalho. Aqui estou ignorando os impostos sobre consumo, da ordem de 30%, que continuarão os mesmos trabalhando ou não.

Hoje de IR da previdência privada vou pagar R$ 5’851 e do tesouro Educa+ R$1’100 ao ano. Total R$ 6’951. Considerando apenas a renda tributável é uma alíquota efetiva de 7,77%. Se levar em conta minhas rendas isentas a alíquota efetiva cai para 5,52%. 
Ou seja, o que fica efetivamente para mim agora é 94,48% da renda. Uma diferença brutal.
Uma vez me perguntaram sobre os custos de trabalhar, ai está o maior custo de trabalhar, que fica bem oculto.
Alegra-me imensamente contribuir menos, ou melhor ser coagido menos, a pagar bolsa família para venezuelanos e sala vip para juízes.

O balanço que eu faço desse primeiro ano de IF é muito bom. É muito bom nunca precisar acordar cedo, é muito bom poder se dedicar ao que quiser livremente, é muito bom fazer as coisas porque quer e não por dinheiro.
Agora vem o lado sombrio, sabe aquelas coisas que você vinha adiando, alegava não ter tempo para fazer? Pois bem, eram só desculpas, e agora você tem que encarar que você não fez porque não quis.
Outra coisa é o que meus avós já diziam “cabeça vazia, oficina do diabo” e é verdade, tive um problema de saúde na família e em uma vida normal de trabalho os problemas vão se sobrepondo então você não fica tão agarrado em um deles apenas. Agora na minha vida “sem problemas” e com tempo infinito, eu senti que qualquer problema se amplifica 10x, ele fica te perseguindo, te corroendo dia após dia, sem escape. Por isso disse que precisava de férias, para fazer coisas diferentes, mudar a rotina, parar de pensar todo dia na mesma coisa.


Patrimônio de JAN/2026

Patrimônio = R$ 2’405’898,26
Aporte = R$ -299,09  (-0,01% patrimônio)
Rentabilidade = -0,88%, acumulado 12m = 8,21%
Inflação = 0,35%, acumulado 12m = 2,78%
CDI = 1,16%, acumulado 12m = 14,43%

Renda dos FII = R$ 5’880,01
Renda da PP = R$ 5’572,88
Renda do Tesouro = R$ 1’207,77
Renda Total = R$ 12’660,66
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000

Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.

O tigrinho soltou a carta, digo, o FGC finalmente pagou os apostadores do Banco Master. Eu tinha pouco mais de 100k nessa jogada e o medo é que ficassem enrolando anos para pagar.
Quase tudo foi reinvestido no tesouro, com taxas muito boas, IPCA+7,8% no Educa+ 2031, taxas inclusive maiores do que eu tinha nos CDBs. Será que o governo pagando mais que um banquinho falido quer dizer alguma coisa?
De qualquer forma esse dinheiro recebido do Master possibilitou eu concluir a compra do Educa+ 2031, inclusive 4 anos antes do prazo, então agora posso me concentrar em comprar o Renda+ 2035. Esse mês também comecei a receber a renda do Educa+ 2026, começou a aparecer a terceira perna do meu tripé de renda. 
Resultado da carteira foi horrível, mesmo a bolsa voando, esse é o preço de quase não ter RV aqui. Bitcoin e dólar arrastaram os resultados para baixo.



Ad augusta, per angusta.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Calculo do meu salário de 2026. Viagem de férias. E atualização do patrimônio de DEZ/2025

 “A civilização ocidental é um cadáver sendo consumido por vermes. A esquerda torce pelos vermes, os conservadores, pelo cadáver.”

E ai será que vou conseguir um aumento com o chefe? Quem é meu chefe agora? São os investimentos, se eles vão bem eu ganho aumento, se vão mal, fico de castigo um ano.

Quais as premissas para o calculo?
- Patrimônio de R$ 2,4kk
- Taxa de retirada de uma porcentagem do patrimônio.
- Expectativa de vida até os 85 anos, ou seja, daqui a 38 anos.
- Recebimento de renda da previdência privada até 2045, ou seja, durante 20 anos.
- Recebimento de 1 salário-mínimo do INSS em 2044. Hoje tenho direito a mais que isso, mas vou considerar isso como margem de segurança.
- Não deixar muito patrimônio. Ou seja, não morrer com um patrimônio maior que o inicial.
- Não passar nervoso com pouco patrimônio. Ou seja, não morrer com um patrimônio menor do que 25% do inicial.
- Aumentar o piso de renda pelo menos acima da inflação dos últimos 12 meses.

Utilizando esses parâmetros e fazendo as simulações no site https://ficalc.app/ obtemos:

Taxa de retirada anual de 6,1% = R$ 12’185
Um aumento substancial de 26% comparado com o salário de R$ 9’628 de 2025. Vencendo com folga qualquer inflação. Foi um ano muito bom para os investimentos.
Com esses dados eu obtenho:
100% de taxa de sucesso e 0% de chance de deixar um patrimônio muito grande ou muito pequeno.
Fazendo mais uma análise de robustez do modelo, colocando que eu vou viver muito mais que o esperado, até os 95 anos, ainda obtenho 100% de taxa de sucesso, mas agora 13 das 107 simulações (12%) eu deixo um patrimônio menor que 25% do inicial.
Esse modelo conta com um piso de gastos de R$ 9’000.

Vou usar essa taxa de retirada? Não. Mesmo a simulação parecendo bem robusta, vou ser cuidadoso ao extremo nesse início. Afinal, eu não preciso de um aumento de 26% no quanto posso gastar. Se eu estava vivendo bem com os 9,6k desse ano, não preciso de mais de 12k ano que vem, nem quando eu estava trabalhando recebia aumentos dessa magnitude. Assim eu arbitro um salário de R$ 10’500 para 2026 (um aumento de 9,06%), uma taxa de retirada de 5,2%.


Patrimônio de DEZ/2025

Patrimônio = R$ 2’427’589,59
Aporte = R$ -860,70  (-0,06% patrimônio)
Rentabilidade = 1,31%, acumulado 12m = 8,86%
Inflação = 0,12%, acumulado 12m = 2,81%
CDI = 1,22%, acumulado 12m = 14,30%

Rendimento dos FII = R$ 5’665,24
Renda da PP = R$ 5’423,36
Renda do Tesouro = R$ 42,50
Total = R$ 11’131,10
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000

Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 0,3 título Educa+ 2031 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.

Vou contar um pouco sobre a viagem que fiz no final de novembro e início de dezembro.
O grande objetivo era fazer um cruzeiro. Eu só tinha feito um cruzeiro na vida, mas isso foi no longínquo ano de 2016, e já comecei com o pé direito, fiz um cruzeiro de travessia de 19 noites partindo de Santos e terminando na Itália. Foi a melhor viagem que fiz na vida, então queria sentir pelo menos um gostinho dela novamente. Eu queria fazer a travessia inversa, partir da Europa e terminar no Brasil, mas como minha previdência privada ficou enrolada por muito tempo, acabei perdendo a janela de oportunidade. Assim comprei um cruzeiro de 7 noites pela costa brasileira.

O cruzeiro partia de Santos, como eu não conhecia nada do litoral paulista, decidi pegar um Airbnb por duas semanas e passar algum tempo na praia antes de embarcar. Decidi ficar em Santos mesmo, pela facilidade de acesso ao porto no dia do embarque. 
Eu cheguei em uma sexta-feira e no sábado já estava na praia, cerveja, porção, banho de mar, tudo nos conformes. Cabe aqui elogiar as barracas de praia de Santos, mais barato e um serviço muito mais simpático do que os dois últimos destinos de praia que eu fui Natal e Florianópolis.

Mas as desgraças não tardaram a aparecer. Logo no segundo dia já estava de cama com uma gripe, dor de garganta, dor no corpo. 3 dias de cama, que foram 3 dias de chuva também. Pensei, melhor aqui que no navio. Assim que melhorei voltei a praia, não estava nem bebendo, por ainda estar na pós gripe, me abaixando para pegar um suco dou mau jeito nas costas. Ai eu já digo que a viagem perdeu 80% do sabor, fazer as coisas com dor é muito ruim. Para piorar eu não conseguia melhorar porque a cama do Airbnb que eu fiquei foi a cama mais dura que eu já vi na vida, parecia dormir sobre um pedaço de pau (lá ele). Ficar de pé ou deitado não doía, doía ficar sentado. E adivinha o que você mais faz quando vai à praia?

Nisso cortei as idas a praia e fiquei só caminhando pela orla e deitado naquela cama dura. Até ir a restaurantes era ruim, comer sentindo dor. Eu sou bem contra tomar remédio de bobeira, mas chegou o momento de embarcar e eu ainda estava com dor, então meti a tríplice tropa de choque contra dores lombares: relaxante muscular a noite, anti-inflamatório e analgésico de dia. Isso aliado a cama no navio ser bem melhor e as massagens que fiz no navio, por ironia estava 90% curado quando desembarquei.

Falando da parte embarcada da viagem. O melhor que eu posso dizer é que ficou bem aquém do que eu esperava. O ruim é que foram muitas mudanças da minha última viagem então nem consigo rastrear o que deu errado. A viagem anterior fiz pela Costa, em um navio menor, em um cruzeiro longo de travessia, esse pela MSC, em um navio bem maior e apenas pela costa brasileira.

Foram dois pontos que mais me desagradaram. As áreas comuns do navio claramente não eram dimensionadas para o número maior de passageiros de um navio tão grande, fica aquela sensação de que querem enfiar o maior número de passageiros sem se importar com o conforto deles. Tudo era disputado, tudo era uma bagunça, tudo era fila, comer no restaurante buffet era equivalente a ir a praça de alimentação de um shopping lotado e ficar procurando mesa vaga. Eu paguei acesso a uma área exclusiva com saunas, ofurô e espaço relaxante e adivinha? Lotada.
Outro ponto foi a extrema falta de educação básica de algumas pessoas, se enfiar no elevador antes das pessoas saírem, cortar fila do buffet, ficar berrando em uma área com várias placas dizendo que aquela é uma área de silêncio e relaxamento.
 

Não lembro de nada disso na viagem anterior. Outro ponto é a sensação de que queriam te espoliar até o último centavo. No cruzeiro anterior lembro que tinha a opção de pagar pelo pacote de bebida e é isso, o restante da experiência estava incluída. Nesse cruzeiro tinha uma sensação de que eles pioraram a experiência base, para forçar você a pagar coisas extras e nessas você tinha o privilégio de pagar ainda mais. Vou dar um exemplo, eu reservei dois jantares em restaurantes de especialidades, que prometiam uma comida muito melhor. Reservei antes de embarcar e não era barato, R$ 180 por refeição. Qual a minha surpresa quando chego no restaurante, 80% do cardápio exigia pagamento a mais, um upgrade. Se fosse uma ou outra opção muito rara, sei lá o cara quer comer trufas e caviar e isso é impossível de oferecer por 180 eu até entenderia, mas 80% do cardápio cobrar a mais? Te deixando com pouquíssimas opções na experiencia base, piada né.

No fim eu fiquei só com dúvidas: a MSC é pior que a Costa? Esse navio era mais mal dimensionado que o outro ou só estava mais cheio? Dei azar ou as pessoas realmente estão mais mal educadas? O problema foi o cruzeiro ser só na costa brasileira?

Vou deixar registrado os gastos dessa viagem.

Despesas pagas antes de embarcar:
7 noites em cabine interna R$ 5942
Pacote bebidas não alcoólico R$ 1365
Acesso a área termal R$ 440
2 jantares em restaurantes de especialidades R$ 358
Total antes de embarcar = R$ 8105

Gastos no navio (em dólar):
2 massagens $177
Cassino $100
Bebidas e extras nos jantares (teoricamente) já pagos $60
Chocolate 38
Pulseira para evitar ter que carregar o cartão $15
Bilhete de loteria $10
Total = $400 = R$  2180

Airbnb 15 dias em santos R$ 2596
Passagens de ônibus R$ 857

Total final = R$ 13738 ou R$ 624 por noite.

 



Ad augusta, per angusta.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Atualização do patrimônio de NOV/2025

Post super atrasado devido a viagem de férias. Não é porque eu não trabalho mais que não preciso de férias.

Patrimônio = R$ 2’397’049,63
Aporte = R$ -929,70 (-0,04% patrimônio)
Rentabilidade = -0,75%, acumulado 12m = 5,91%
Inflação = 0,22%, acumulado 12m = 3,54%
CDI = 1,05%, acumulado 12m = 13,89%

Rendimento dos FII = R$ 5’519,00
Renda da PP = R$ 5’423,36
Renda do Tesouro = R$ 50,00
Total = R$ 10’992,36
Renda máxima utilizável 2025 (TSR 5,2%) = R$ 9’628
Piso de renda 2025 (TSR -17%) = R$ 8’000

Plano de investimento para 2025:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 0,3 título Educa+ 2031 por mês.

Em um momento oportuno relatarei os custos e impressões dessa viagem.





Ad augusta, per angusta.

sábado, 1 de novembro de 2025

Só existem 4 tipos de investimento. E atualização do patrimônio de OUT/2025

“Se o governo não combate a criminalidade, é porque é parceiro da criminalidade.” - Nayib Bukele

O nome do post seria “só existem 3 tipos de investimento”, mas batendo papo com a IA ela me alertou para a existência de outra categoria. Esse negócio não tem mais volta, mesmo nesse estágio inicial onde a tecnologia está, eu consigo ter conversas muito mais aprofundadas com a IA do que com qualquer ser humano.
Posso até dizer porque isso acontece, conversando com uma pessoa tendemos a ter receio de nos abrir, pois há toda uma guerra de egos e julgamentos, assim toda conversa parece mais uma corrida para mostrar que sabe mais que o amiguinho do que uma busca honesta por compreender algum tópico. Tenho certeza que grandes pensadores clássicos como Sócrates e Platão, teriam um prazer imenso em conversar com uma IA e admirariam a disposição dela em procurar a verdade.

Bom, vamos finalmente aos tipos de investimentos.

1 – Dívida: emprestar para receber juros
Você financia alguém e recebe juros como recompensa.
Nessa categoria: tesouro direto, CDB, LCI, LCA, debêntures, staking de criptomoedas.
Ambiente ideal para esse tipo: juros reais positivos e inflação controlada.

2 – Projetos: empreendimentos que geram valor
Você participa de algo que produz riqueza.
Nessa categoria: ações, imóveis para aluguel, arrendamentos de terras.
Ambiente ideal para esse tipo: juros baixos, inflação sob controle, crescimento econômico.

3 – Reserva de Valor: bens cujo preço varia
Você compra algo que não produz nada, mas mantém valor, ou até ganha valor devido à escassez.
Nessa categoria: ouro, commodities, criptomoedas, NFTs, arte.
Ambiente ideal para esse tipo: instabilidade econômica, desvalorização da moeda, juros reais negativos.

4 – Investimentos Contingenciais: apostas em eventos incertos
Você aposta em algo que só paga se um evento raro acontecer.
Nessa categoria: seguros, loterias.
Ambiente ideal para esse tipo: mercados voláteis, eventos imprevisíveis, busca por hedge.

Há ainda outro instrumento, que não é nenhum dos 4 tipos, mas que pode se encaixar nos outros 4 conforme o uso, os derivativos. Que podem ser usados para alavancar e simular dívidas, para conseguir dividendos sintéticos, para rentabilizar variação de commodities ou para fazer um seguro.

Conversando com uma pessoa (assim espero) em um fórum de discussão, ela apontou um fato que achei curioso e nunca tinha me atentado, o histórico do Brasil pagando juros positivos é muito pequeno, antes do plano real voltando até pelo menos os anos 50, os juros reais brasileiros eram bastante negativos, ou seja, a inflação era muito maior do que o juro pago nos investimentos.
Então esse fato, combinado com uma baixa bancarização da população, explicam a tara que a população mais velha tem por imóveis e joias, pois eram os poucos instrumentos disponíveis para preservar valor.

A tese desse camarada é que é impossível pagar juros reais indefinidamente, assim em algum momento as dívidas ficam impagáveis e serão desvalorizadas pela via inflacionária, ou seja, com a destruição do valor da moeda. O que torna ter ativos reais e desindexados da moeda uma postura bastante salutar.

A Turquia passou por esse processo, em 2011 começou a flertar com juros negativos e em 2021 degringolou de vez, fazendo o dólar em liras turcas ir de 1,67 em 2011 para 41,69 agora, uma perda de 96% (enquanto o real perdeu 83% do valor desde sua criação em 95). Outro caso que será muito importante observar é o da França, caminhando para um nível de dívida insustentável, pois eu vejo bastante semelhanças entre o Estado francês e o brasileiro. Pesa a favor da França ser mais rica e ter uma população com mais estudo, e pesa contra eles não terem o controle sobre a própria moeda. Vamos ver como eles vão descascar esse abacaxi.


Patrimônio de OUT/2025

Patrimônio = R$ 2’416’194,44
Aporte = R$ -2’723,88 (-0,11% patrimônio)
Rentabilidade = 1,25%, acumulado 12m = 13,08%
Inflação = 0,26%, acumulado 12m = 4,23%
CDI = 1,22%, acumulado 12m = 13,62%

Rendimento dos FII = R$ 5’706,31
Renda da PP = R$ 5’423,36
Renda do Tesouro = R$ 0
Total = R$ 11’129,67
Renda máxima utilizável 2025 (TSR 5,2%) = R$ 9’628
Piso de renda 2025 (TSR -17%) = R$ 8’000

Plano de investimento para 2025:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 0,3 título Educa+ 2031 por mês.

Com essa operação policial no Rio de Janeiro, foi possível perceber uma coisa, sempre que é tentado qualquer ação contra a criminalidade, aparece uma espécie de “tropa de choque” do crime. Sempre a mesma turminha: políticos de esquerda, eleitores de esquerda, judiciário, imprensa, órgãos internacionais. Enquanto o número de homicídios é de zona de guerra, enquanto a população leva ferro na cara todo dia de bandidos, enquanto o crime está expulsando moradores de suas casas, essa turminha não dá um pio, acha tudo lindo. Mas basta morrer meia dúzia de bandidos eles entram em um frenesi de indignação.

Dia 3 de outubro comprei o ETF AREA11 que promete pagar cupons do tesouro mensalmente, acabou outubro e não recebi nada. Senti-me enganado :))
Mês que vem vai atrasar o fechamento mensal porque viajarei. Espero que isso se torne comum.
Depois eu dou detalhes e custos. Fica aqui a constatação obvia de que viajar é caro, muito caro.







Ad augusta, per angusta.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Ou você controla suas emoções, ou elas controlarão sua vida financeira. E atualização do patrimônio de SET/2025

“Tudo que começa com: é pra sua segurança, termina com: eu só estava seguindo ordens.”

Ainda lembro como comecei minha carreira de investidor, com all in em PETR4. Isso era 2008, bolsa eufórica nas máximas, notícias de pré-sal 24 horas na TV.
Meu humor era uma montanha-russa, acompanhava as cotações da Petrobras, quando as ações subiam parecia que meu time havia ganhado, ficava falastrão, provocava os colegas de trabalho: “vai entrar na bolsa quando? Olha o dinheirão que está perdendo.”. Quando as ações caiam sofria calado.

Olhava a cotação várias vezes ao dia, ficava bolando estratégias de quando comprar e quando vender para tentar maximizar os lucros com a flutuação do mercado. Quando você trata os investimentos de forma tão emocional, raramente da certo. No meu caso não deu.
Veio a crise subprime e a bolsa despencou. “Tranquilo, estou comprando barato” dizia eu fazendo preço médio, não tem como dar errado, o mundo acabando enquanto no Brasil só uma marolinha, ainda tem o pré-sal, não tem como dar errado.

Mas deu. Escândalo do petrolão, 24 horas na imprensa os roubos na empresa, empresa mais endividada do mundo, marolinha virando um tsunami. E eu fazendo preço médio enquanto a cotação só caia. O clima de festa de outrora com os colegas de trabalho vira depressão e vergonha. Em 2008 ninguém queria ficar de fora da bolsa, em 2012 ninguém queria mais saber disso.

Eu finalmente vou capitulando aos poucos. Primeiro paro de comprar as ações, dizendo que vou mantê-las até que cheguem no meu preço médio para vendê-las. Depois desisto de vez, vendendo por R$ 15 o que tinha pago um preço médio de R$ 23.

Começo a deixar o dinheiro só na poupança. Cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça.
Depois de um tempo só na poupança decido começar a diversificar os investimentos. Vou ao banco transferir o dinheiro para a corretora, R$ 60k, nunca tinha feito uma transferência desse valor. Me sinto um grande capitalista, olho com nojo os assalariados na fila do banco, mexo com valores que são 5 anos do salário dessas pessoas, dinheiro que elas nunca verão na vida. Me sinto bem, me sinto superior. São as emoções e o ego entrando em cena novamente.

Nossa mente trabalha com gratificações instantâneas. Fez uma ação, recebeu feedback, recebeu endorfina. Nós não conseguimos esse tipo de gratificação com coisas de longo prazo. Investir para a IF é o antitigrinho, você toma ações que só vão te beneficiar anos, talvez décadas depois. Por isso que acumular grandes quantias de dinheiro nunca será prazeroso por si só. A satisfação tem que vir de outras coisas: a sensação de segurança que o dinheiro proporciona, o tempo que ele pode comprar. Por isso finanças pessoais é 95% comportamental, você tem que treinar sua mente para fazer algo extremamente antinatural.

A questão é que é impossível acumular uma soma relevante de dinheiro se você não desvinculá-lo de suas emoções. Desvinculação completa não existe, dinheiro sempre será emocional, sempre significará mais do que só uma unidade de troca. Mas é possível se diminuir a sensibilidade a ele.
Afinal, nos dessensibilizamos com tudo, por que não com dinheiro?
É só ver o seu brilho nos olhos quando compra aquele carro dos sonhos. 6 meses depois o carro é só normal, como se você tivesse tido acesso a ele a vida toda.

Quem não consegue fazer essa desvinculação não passa para o próximo estágio. Fica sempre no ciclo juntar um pouco, arrumar logo alguma desculpa ou desejo “inadiável” para gastar o dinheiro.
Trata o dinheiro como uma batata quente, que deve sair o mais rápido possível das mãos.
Fica olhando o saldo várias vezes por dia, aquele dinheiro “parado” vai lhe corroendo por dentro.

Os primeiros 100k são mais emocionantes que o primeiro milhão, que por sua vez é mais emocionante que os próximos milhões. Deve ser assim, ou você nunca juntará os milhões.
Os 100k são muito importantes também, mostram que você conseguiu vencer a barreira de, ter dinheiro e não comprar um carro novo, não inventar uma reforma, não torrar tudo em uma viagem porque “eu mereço”. Mostra que poupar é um hábito e hábitos vencem facilmente a força de vontade. O caminho a frente é simples, mas não fácil, aporte e tempo, pouca emoção.
O controle emocional é a única coisa que difere quem economizou dinheiro ao longo do tempo e quem ganhou a mesma quantia na loteria ou herança.
Por isso é muito comum que pessoas que ganham grandes somas de uma vez, logo voltam ao nível anterior, elas não tinham o preparo para lidar, elas deixaram a emoção tomar conta.


Patrimônio de SET/2025

Patrimônio = R$ 2’389’184,13
Aporte = R$ 203,30 (0,01% patrimônio)
Rentabilidade = 1,21%, acumulado 12m = 13,22%
Inflação = 0,096%, acumulado 12m = 4,74%
CDI = 1,22%, acumulado 12m = 13,35%

Rendimento dos FII = R$ 5’549,55
Renda da PP = R$ 5’423,36
Total = R$ 10’972,91
Renda máxima utilizável 2025 (TSR 5,2%) = R$ 9’628
Piso de renda 2025 (TSR -17%) = R$ 8’000

Plano de investimento para 2025:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 0,3 título Educa+ 2031 por mês.

As empresas tiraram o mês para me infernizar, primeiro a Vivo vai acabar com o Vivo Easy, ou seja, adeus meus gastos de R$ 1,30 por mês com celular. Devo voltar para o plano pré pago.
Depois foi a operadora de internet, sou cliente há 14 anos, basicamente desde que moro sozinho, nunca tive problema. Até esse mês, onde eles cancelaram unilateralmente meu plano e me jogaram em outro com 25% de aumento da fatura. Em uma ligação de 10 minutos resolvi o problema e ainda consegui um desconto de 30% em relação ao que pagava antes. Mais uma vez a teoria do quem não chora, não mama se confirmando.

Ai decidi colocar todas as minhas contas em débito automático, obviamente que não funcionou como deveria. A operadora joga a culpa no banco, o banco joga a culpa na operadora.
Por que eu quis fazer essa mudança? Porque estava atrapalhando meus planejamentos de viajem. Em casa eu pago essas contas em 10 minutos, mas a mente antecipadora de problemas já ficou pensando que fora de casa (e da minha zona de conforto) eu posso ficar sem internet, que eu posso não estar com o notebook, que podem roubar meu celular, etc. Enfim, era um empecilho desnecessário a mais na hora de planejar uma viagem ou passeio.

Tem me preocupado um pouco a concentração que as 10 maiores empresas têm no S&P 500.
Elas representam mais de 40% do índice, muito acima dos valores históricos. Além disso são muito concentradas em um único setor. Bolha? Difícil dizer, já estão apontando bolha há 10 anos e elas continuam crescendo.
De qualquer forma eu invisto em índice para ter diversificação. Mesmo não gostando de girar patrimônio vou vender um pouco de S&P 500 e comprar FTSE All-World. Não é que eu estou saindo dos Estados Unidos, apenas estou assumindo uma posição mais neutra globalmente. Eu sei que as pessoas gostam de dizer que dessa vez é diferente, mas nada cresce indefinidamente e ninguém quer terminar só com tulipas na mão. Faz sentido vender uma ou duas tulipas, e fixar esse ganho em outro patrimonio. E isso não é nenhuma recomendação de investimento.








Ad augusta, per angusta.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Um ano de IF. E atualização do patrimônio de AGO/2025

“Quando o tempo deixa de ser escasso, as pessoas deixam de dar valor a ele?”

Análise da renda recebida dos FII.




Há 12 meses eu recebia R$ 5’117 considerando uma inflação de 4,80% em 12 meses, para vencer a inflação eu deveria receber R$ 5’363. Eliminando os 3 meses com recebimento de não recorrentes, podemos notar uma renda bastante estável e crescente todo mês. Ponto positivo, pois quem quer viver de renda não quer a renda variando muito mês a mês.

Eu reinvesti R$ 2’800 todo mês, 55% da renda inicial, 12 meses depois eu recebi R$ 6’031 sendo um aumento de 17,9% da renda. Os FII passaram com honra pelo teste de vencer a inflação, então eu vou até reduzir o reinvestimento neles para R$ 2’500 por mês, 40% do novo valor inicial.

Análise do patrimônio.

Há 12 meses meu patrimônio era R$ 2’072’208; corrigindo pela inflação ele deveria ser R$ 2’171’674. Considerando minha expectativa de vida de 85 anos, em 1 ano eu poderia ter consumido 2,5% do patrimônio para que ele durasse até o fim da vida, assim o patrimônio ajustado pela inflação e expectativa de vida deveria ser R$ 2’119’784.

O valor do patrimônio foi R$ 2’402’364 também vencendo com folga a inflação.
Tanto por parâmetros de patrimônio, quanto de renda, minha IF vai muito bem.

Para mim ainda parece mágico ter parado de trabalhar e ainda conseguir crescer tanto o patrimônio quanto a renda acima da inflação. Mas eu sei que nem todo ano será assim, vamos ver como ficará meu psicológico quando os investimentos despencarem.

E quanto aos aspectos não financeiros?

Um dos meus maiores medos é que com a IF o tempo passasse muito rápido. Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu. Pisquei o olho, passou um ano. Mais algumas piscadas, vão se embora décadas.

Percebi é que há um limite no descanso. Não importa o quanto você esteja cansado do trabalho, em uns 2 meses você já atinge um ponto onde não é possível descansar mais. Assim como não importa o tamanho da sua sede, você não ficará com menos sede tomando um copo de água depois do terceiro.

Isso em relação ao cansaço físico, o cansaço mental é outra história.
Mesmo passado um ano sem precisar trabalhar, tem dias que acordo achando que perdi o horário, ou acordo irritado e ansioso com um emprego e obrigações que nem existem mais.
É com se sofresse de uma espécie de stress pós-traumático, uma dor fantasma. Imagino que isso vá embora com o tempo.

Outra coisa que já era prevista é a paralisia da escolha. Em tese eu posso fazer o que quiser agora e só não faço nada. Por exemplo, queria que a primeira viagem depois de conquistada a IF fosse perfeita, uma viagem para a Europa, seguida de um cruzeiro de travessia da Europa para o Brasil. Tal viagem só pode ser feita em novembro, e no ano passado não podia fazer por estar enrolado com a previdência. Isso vai gerando um stress, uma impressão de desperdiçar a vida.

Mesmo a coisa ser prevista não torna lidar com ela mais fácil quando te atinge.
Estou em uma fase de tentar descobrir o que eu quero realmente e o que são desejos e expectativas de outras pessoas ou da sociedade. Nem sei se há como fazer essa separação. Como identificar um desejo como sendo genuíno meu? Como levar a vida para si e não fazendo uma performance para os outros? Questões difíceis de responder.

De qualquer forma eu larguei essa ideia de que as coisas devem ser perfeitas. Não faz sentido algum tentar fazer algo complexo quando não estou conseguindo fazer o básico. De qualquer forma um cruzeiro era algo que eu realmente queria fazer, assim vou fazer um mais simples, apenas dentro do Brasil, em dezembro que até comprei e deixei já pago.

Minha rotina hoje é infinitamente melhor do que quando eu estava trabalhando. Sou indubitavelmente mais feliz e satisfeito. Mas ainda é uma rotina, e fazer coisas fora da rotina é sempre uma batalha.

Esse comercial ilustra bem o Mendigo tentando escapar da gostosa rotina pós FIRE e tentando ter uma vida um pouquinho só menos ordinária.



Outra constatação é que a IF te afasta ainda mais da normalidade.
Outras pessoas apenas estão em outro ritmo. Não deixa de ser um isolamento social, você se identifica mais com a rotina de pessoas 20 ou 30 anos mais velhas. Se você vai encontrar amigos e parentes ainda será no fim de semana, pois durante a semana ninguém, além de você, tem tempo e energia. Me sinto igual ao Dr. Manhattan, que já foi humano, mas está cada vez mais distante das preocupações humanas.

Tenho me dedicado mais profundamente a hobbies e coisas que sempre quis aprender. E percebi que os desafios que eu venci na vida foram todos mentais. Eu sempre fui 90% planejamento, 10% ação.

Escola > curso técnico > faculdade > concursos > trabalho majoritariamente intelectual.

Na adolescência subi algumas montanhas e fiz trilhas, mas nada muito desafiador.
Talvez um desafio físico seja interessante, fazer algo diferente, realmente sair da zona de conforto.
Pensarei com carinho no assunto.


Patrimônio de AGO/2025

Patrimônio = R$ 2’360’428,79
Aporte = R$ -5’469,25 (-0,23% patrimônio)
Rentabilidade = -1,52%, acumulado 12m = 11,09%
Inflação = 0,32%, acumulado 12m = 4,90%
CDI = 1,16%, acumulado 12m = 12,95%

Rendimento dos FII = R$ 5’516,11
Renda da PP = R$ 5’480,77
Total = R$ 10’996,88
Renda máxima utilizável 2025 (TSR 5,2%) = R$ 9’628
Piso de renda 2025 (TSR -17%) = R$ 8’000

Plano de investimento para 2025:

Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 0,3 título Educa+ 2031 por mês.

Esse mês a queda do dólar e do bitcoin afundaram minha rentabilidade, faz parte.
Alguns dizem que o bitcoin vai despencar, alguns dizem que em 2 meses estará em U$200k, apenas o tempo é o senhor do destino.







Ad augusta, per angusta.