quarta-feira, 1 de maio de 2019

O Santo Graal. E atualização do patrimônio de ABR/2019

Uma relíquia muito procurada desde a antiguidade pela humanidade é o Santo Graal, o cálice utilizado por Jesus na última ceia. Tal relíquia possuiria poderes miraculosos e proporcionaria graças infinitas a seu possuidor. E nos investimentos há um Santo Graal?

Leia essa série de 4 artigos. Eles tem a possibilidade de mudar a sua forma de enxergar os investimentos:
https://www.trinusglobal.com/o-graal-dos-investimentos-parte-1/
https://www.trinusglobal.com/o-graal-dos-investimentos-parte-2/
https://www.trinusglobal.com/o-graal-dos-investimentos-parte-3/
https://www.trinusglobal.com/classes-de-ativos-triade-basica/

Eu e muitos outros investidores achamos que sim. O Santo Graal dos investimentos é um método de investir chamado alocação de ativos. Volto a repetir meu mantra “Não existe uma só coisa que seja o melhor investimento, o que existe é uma carteira corretamente diversificada, corretamente alocada e corretamente rebalanceada.”

Eu tenho um pouco mais de uma década de experiência no mercado financeiro e acho a área fascinante. Nada me deixa mais desanimado do que quando me perguntam qual é o melhor investimento, sendo que a pessoa já vem pensando em um investimento e só quer a minha confirmação para entrar de cabeça nesse que seria o melhor investimento da vez.

Em 2007 o investimento da vez foi a bolsa, em 2012 os imóveis, em 2017 o bitcoin, e agora em 2019 a bolsa novamente. Vou te dar a receita para ficar muito rico: compre ações em 2002, venda e compre imóveis em 2007, venda e compre bitcoins em 2012, venda e aproveite a vida. Qual a falha disso? É muito fácil olhando o passado e impossível olhando o futuro.

O que eu vejo na prática acontecendo: compra ações na euforia em 2007 e perde em 2008, chama a bolsa de cassino, e diz que agora é conservador e mantém o dinheiro na poupança por alguns anos.

Compra imóveis na planta na euforia em 2012 porque “quem compra terra nunca erra” e perde em distratos dois anos depois. Mais um tempo de poupança cuidando das feridas.

Compra bitcoin na euforia em 2017 porque é uma tecnologia inovadora e agora vai ser diferente e perde em 2018. Agora em 2019 quer entrar na bolsa novamente, diz que agora conhece o mercado (sem ter realmente estudado nada).

Claro que na prática nem a alocação de ativos é simples. Ela dá um norte, mas ainda é necessário muito estudo. Quais as melhores classes de ativos para diversificar? Dentro de uma classe de ativo como escolher? Qual a porcentagem ideal de alocação?

Eu hoje uso 60% renda fixa, 25% de renda variável de média volatilidade e 15% de renda variável de alta volatilidade.

O autor dos artigos que eu indiquei indica 1/3 em renda fixa, 1/3 em bolsa e 1/3 em dólar. Qual alocação teria sido vencedora em 2018? Vou simular usando meu patrimônio e aportes.



Como observado no gráfico eu teria obtido melhor resultado com essa alocação mais simples. Estaria Da Vinci certo quando afirmou que “A simplicidade é o último grau de sofisticação”?

Acredito que a carteira da tríade se saiu melhor por 2018 ter sido um ano que tanto bolsa quanto dólar se valorizaram e isso representa 67% da carteira, enquanto minha carteira é 60% renda fixa.

Um ano é pouco para chegar a uma conclusão, farei esse estudo novamente com 2 anos de resultados.
 

Atualização de patrimônio ABR/2019:

Patrimônio = R$ 758’518,82
Aporte = R$ 1832,67 (0,24% patrimônio)
Rentabilidade = 1,78%
Inflação = 0,76%
CDI = 0,47%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 19,34%
Inflação acumulada = 6,11%
CDI livre de IR acumulado = 7,52%
CDI + Inflação = 13,63%

Nesse mês notícia boa e notícia ruim. A boa é que cheguei a 3/4 do milhão e a ruim é que o clima está meio instável no trabalho. Estimo que uma IF ideal para mim seja com patrimônio de aproximadamente 1,8kk o que levaria ainda 8 anos para acumular. Isso deve ser objeto de futuras postagens.






Boa caminhada rumo à IF confrades!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Alocação de FII, um exemplo prático. E atualização do patrimônio de MAR/2019

Eu tenho no momento 15 fundos de investimento imobiliário.
3 de papel: RBVO11, FEXC11, RNDP11
2 fundos de fundos: CXRI11, BPFF11
1 de desenvolvimento: MFII11
1 de educação: AEFI11
3 de escritórios: FAMB11B, BBFI11B, HGRE11
3 de logística: EURO11, GRLV11, FIIP11B
2 de varejo: MAXR11, RBRD11

Comecei a um ano e meio a comprar FII e até agora estava comprando sempre fundos novos para montar uma carteira diversificada. Agora que eu tenho uma carteira diversificada como eu decido em qual FII aportar?

As porcentagens na minha carteira são:
RBVO11: 1,53%
FEXC11: 0,73%
RNDP11: 0,60%
CXRI11: 0,60%
BPFF11: 0,74%
MFII11: 0,88%
AEFI11: 0,54%
FAMB11B: 0,68%
BBFI11B: 0,61%
HGRE11: 0,83%
EURO11: 0,60%
GRLV11: 0,60%
FIIP11B: 0,65%
MAXR11: 0,58%
RBRD11: 0,60%

Alguns diriam que é só aportar no que está com a porcentagem mais baixa e pronto. Que preço não importa no longo prazo. Eu até concordo com essa afirmação se a sua carteira de fundos for mais conservadora e tiver apenas fundos bons.

Não é o caso da minha, ela é mais arrojada. Mescla fundos bons com “apostas”, isto é, fundos com algum problema que eu acredito estarem sub-precificados.

Exemplos são:
MFII11 que a pouco sofreu intervenção da CVM e tem que ver se vai manter o DY alto.
AEFI11 que tem uma proposta de troca de terrenos do fundo.
FAMB11B e BBFI11B que vão perder inquilinos e as cotas despencaram.

Então além de considerar a porcentagem eu gosto também de fazem um valuation para decidir onde aportar. Como eu faço o valuation:

Como indicadores eu uso:
Juro pago pela NTNB com cupom semestral mais longa disponível
Preço do FII
Valor patrimonial
DY 12 meses

Para cada FII eu calculo:
P/VP = Preço / Valor patrimonial
PremioNTNB = DY12m / Juro pago pela NTNB
IndicePreço = (PremioNTNB ^ 1,5) / (P/VP)

Quanto maior esse IndicePreço mais “barato” eu considero o FII.

Como eu quero considerar tambem a porcentagem na carteira eu calculo mais um índice:
IndiceCompra = IndicePreço / %FII na carteira

Quanto maior o IndiceCompra, mais provável dele receber o aporte.
Fazendo os cálculos para os 15 FII, os IndiceCompra são:
RBVO11: 2,35
FEXC11: 3,88
RNDP11: 3,15
CXRI11: 4,14
BPFF11: 3,27
MFII11: 4,56
AEFI11: 4,94
FAMB11B: 19,3
BBFI11B: 10,4
HGRE11: 1,86
EURO11: 5,51
GRLV11: 5,36
FIIP11B: 3,76
MAXR11: 5,22
RBRD11: 4,26

Como eu tinha R$ 12200 eu escolhi aportar em 4 FII. Isso porque não há cobrança de corretagem, caso houvesse eu aportaria em apenas 1 ou 2 FII.

Assim os escolhidos foram:
FAMB11B: disparado o maior IndiceCompra
BBFI11B: IndiceCompra quase o dobro do 3º colocado
EURO11: 3º colocado
MAXR11: para não aportar em 2 de logística

Vamos ver como se comporta esse método de aporte. Caso ele leve a uma concentração muito grande dos FII apostas eu vou impedir isso criando alguma regra. Porque a carteira é pra ser arrojada e não suicida.

Atualização de patrimônio MAR/2019:

Patrimônio = R$ 743’451,29
Aporte = R$ 12’739,60 (1,71% patrimônio)
Rentabilidade = 0,68%
Inflação = 0,64%
CDI = 0,49%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 17,25%
Inflação acumulada = 5,34%
CDI livre de IR acumulado = 7,12%
CDI + Inflação = 12,47%






Boa caminhada rumo à IF confrades!

sexta-feira, 1 de março de 2019

Qual o melhor hedge em dolar para o IBOV? E atualização do patrimônio de FEV/2019

Vou considerar dois candidatos a comporem a porção da minha carteira de renda variável juntos com ações da bolsa brasileira: IVVB11 e ouro.

Hoje eu possuo IVVB11 tanto como uma forma barata de dolarizar parte da carteira, como para aplicar em ações americanas. Minha alocação está hoje em 60% IBOV e 40% IVVB11.
Para essa alocação não foi feito nenhum estudo, fui alocando e o objetivo era ter 50% de cada.

Mas essa é a melhor carteira considerando o histórico desses ativos?
Fiz um estudo considerando os últimos 15 anos (2004 a 2018):
Rendimento médio anual IBOV = 13,53% a.a - Pior queda -41,22%
Rendimento médio anual Ouro em reais (ouro+dólar) = 12,65% a.a - Pior queda -13,16%
Rendimento médio anual IVVB11 (S&P500+dólar) = 10,75% a.a - Pior queda -12,89%

Simulei algumas carteiras teóricas:
50%IBOV-50%IVVB11 = Rendimento 12,14% a.a - Pior queda -24,84%
25%IBOV-75%IVVB11 = Rendimento 11,45% a.a - Pior queda -16,65%
75%IBOV-25%IVVB11 = Rendimento 12,84% a.a - Pior queda -33,03%
50%IBOV-50%Ouro = Rendimento 13,09% a.a - Pior queda -14,20%
25%IBOV-75%Ouro = Rendimento 12,87% a.a - Pior queda -13,54%
75%IBOV-25%Ouro = Rendimento 13,31% a.a - Pior queda -22,01%
50%IBOV-25%IVVB11-25%Ouro = Rendimento 12,62% a.a - Pior queda -13,82%
25%IBOV-50%IVVB11-25%Ouro = Rendimento 11,92% a.a - Pior queda -5,63%
25%IBOV-25%IVVB11-50%Ouro = Rendimento 12,40% a.a - Pior queda 0,86%

Considerando os últimos 15 anos o ouro+dólar foi melhor hedge que o IVVB11, custou menos e protegeu mais.

Se você detesta quedas na sua carteira, a alocação 25%IBOV-25%IVVB11-50%Ouro não ficou negativa em nenhum ano, mas você teve seu rendimento reduzido em 1,13% a.a.

Escolhi como a alocação ideal para mim:
70%IBOV-10%IVVB11-20%Ouro = Rendimento 13,08% a.a - Pior queda -22,58%

Ela é pior que a alocação 75%IBOV-25%Ouro, mas isso é olhando o passado, o futuro ninguém sabe. Assim optei por manter ao menos 10% de IVVB11.

Simulei também fazer balanceamentos anuais na carteira 70%IBOV-10%IVVB11-20%Ouro:
Carteira com balanceamento apenas por aporte (sem vendas) = 13,41% a.a
Fazendo esse balanceamento “soft” essa carteira rende mais do que qualquer uma das carteiras teóricas.
Carteira com balanceamento quando o ativo se desviava mais de 20% da meta + aporte = 14,12% a.a

Com essa estratégia eu consigo um rendimento superior a uma carteira de IBOV pura, que foi o investimento que na média rendeu mais.

Com essas duas técnicas passivas, alocação de investimentos e rebalanceamento da carteira. Você não precisa ficar tentando acertar o momento certo de comprar ou vender, acompanhando o mercado e as notícias diariamente ou se estressando quando a bolsa cai. As técnicas fazem você naturalmente comprar na baixa e vender na alta. Elas permitem você lucrar mais e ter menos volatilidade.

Isso elimina também as perguntas inúteis feitas por quem é novo no mercado: É hora de entrar na bolsa? Ou de sair da bolsa? A bolsa está cara ou barata?

Não existe hora certa para comprar algum ativo, o que existe é uma carteira com bons ativos, corretamente diversificada, corretamente alocada e corretamente balanceada.

Como eu já mostrei nesse post, ficar correndo atrás do que está rendendo mais é uma estratégia comprovadamente perdedora e destruidora de patrimônio.

Atualização de patrimônio FEV/2019:

Patrimônio = R$ 725697,58
Aporte = R$ 11873,68 (1,64% patrimônio)
Rentabilidade = 1,39%
Inflação = 0,55%
CDI = 0,54%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 16,46%
Inflação acumulada = 4,71%
CDI livre de IR acumulado = 6,70%
CDI + Inflação = 11,41%








Boa caminhada rumo à IF confrades!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Rendimento dos ativos na última década. E atualização do patrimônio de JAN/2019





Siglas:
IFIX: índice de FII
IMA-B: índice de títulos atrelados a inflação
IRF-M: índice de títulos pré-fixados
IBOV: índice ações brasileiras
S&P 500: índice de ações americanas

Observando essa tabela vemos que a média dos rendimentos médios dos ativos na última década ficou em 10,94%.

Hoje minha carteira está alocada assim:
IFIX: 10,91%
IMA-B: 40,85%
IRF-M: 7,96%
IBOV: 14,19%
Ouro: 0%
S&P 500: 5,64%
Dolar: 5,64%

Utilizando a porcentagem de alocação desses ativos hoje na minha carteira eu consigo ter o rendimento teórico dela na última década: 11,59%. É uma carteira que bate consistentemente a média do mercado.

Mas esses números mostram apenas uma foto do momento. Ao longo do tempo a estratégia de rebalanceamento da carteira com os aportes tende a, naturalmente, fazer você comprar na baixa dos ativos, o que melhora ainda mais o rendimento. Em 2018 a média do mercado foi 9,06% enquanto minha carteira rendeu 10,24%.

Enquanto a estratégia de rebalanceamento da carteira com os aportes se mostra vencedora, o que a maioria das pessoas faz é, no lugar de ter uma carteira diversificada, tentar acertar o que vai render mais. Vou chamar essa estratégia de gira-gira, que consiste em aplicar no que rendeu mais no ano passado.

Veja que essa estratégia é muito sedutora, quase todas as noticia de finanças implicitamente oferecem essa estratégia para você. São rankings dos melhores investimentos do ano, rankings de melhores fundos, noticia em massa quando um ativo se valoriza. Tudo para levar a um comportamento de manada.

Coloque na sua cabeça duas coisas:
- O jornalista quando escreve a matéria não tem interesse que você lucre, ele quer vender jornal.
- O gerente do banco e o assessor da corretora não tem interesse que você lucre, eles querem vender produtos financeiros que vão maximizar o lucro deles.

Então, aplicando o gira-gira nos últimos 10 anos qual o resultado?
Rendimento médio anual de 6,89%, muito abaixo da média do mercado.

É uma das coisas mais destrutivas que você pode fazer com seu patrimônio sem utilizar alavancagem e derivativos. Considerando o tamanho da minha carteira adotar o gira-gira poderia levar a perdas da ordem de meio milhão em 10 anos.


Atualização de patrimônio JAN/2019:

Patrimônio = R$ 703’879,52
Aporte = R$ 11’295,80 (1,60% patrimônio)
Rentabilidade = 2,73%
Inflação = 0,042%
CDI = 0,49%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 14,87%
Inflação acumulada = 4,15%
CDI livre de IR acumulado = 6,24%
CDI + Inflação = 10,40% 







Boa caminhada rumo à IF confrades!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Balanço de ganhos e gastos de 2018. E atualização do patrimônio de DEZ/2018

Salário:
Recebido liquido R$ 135’213 no ano, um aumento de 10,54% em relação ao ano passado.
Bom, pelo menos subiu mais que a inflação que foi de 3,80% em 12 meses.
Salário mensal: R$ 11’268

Juros dos investimentos:
Recebido R$ 64’979 no ano, um aumento de 23,83% em relação ao ano passado.
Muito bom, os juros aumentaram mais do que o aumento do salário, é o efeito “bola de neve” começando a aparecer.
Juros mensais: R$ 5415

Aporte:
Aportado R$ 76’723 no ano, um aumento de 20,07% em relação ao ano passado.
Muito bom, aporte e tempo vencem tudo.
Aporte mensal: R$ 6393

Gastos:
Despesas de R$ 58’490 no ano, um aumento de 0,12% em relação ao ano passado.
Acho que o motivo dos meus gastos ficarem inalterados é que eu viajei menos esse ano.
Gastos mensais: R$ 4874

Ativos:
R$ 673’865. Aumento de 16,41% em relação ao ano passado.
Meus ativos me mantêm por 11 anos e 6 meses sem trabalhar.

Economizado 57% do meu salário. Um pouco acima da meta que é 50%.

Salário mensal = 11,9 salários-mínimos.
Salário mensal = 2,8 salários DIEESE.
Salário anual compra 4,8 carros do mais barato.
Juros cobriram 111% das despesas.

Salário por hora (contando tempo de deslocamento): R$ 57,88. Como eu me mudei para próximo do trabalho fazendo essa conta com a expectativa de horas de trabalho de 2019: R$ 68,60. Um ganho de mais de 18% na minha remuneração por hora apenas por me mudar.

Contando que eu gasto umas 8 horas por mês administrando minha carteira (preenchendo planilha, decidindo no que investir e estudando). Meu ganho por hora nos investimentos foi: R$ 676,86. Daí o nome de renda passiva. Você precisa investir relativamente poucas horas para ter um bom resultado.

Atualização de patrimônio DEZ/2018:

Patrimônio = R$ 673’864,89
Aporte = R$ 3263,26 (0,48% patrimônio)
Rentabilidade = 0,47%
Inflação = 0,0025%
CDI = 0,49%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 11,81%
Inflação acumulada = 4,11%
CDI livre de IR acumulado = 5,82%
CDI + Inflação = 9,93%






Boa caminhada rumo à IF confrades!

sábado, 1 de dezembro de 2018

Estudo da rentabilidade e volatilidade da carteira depois de 1 ano. E atualização do patrimônio de NOV/2018

Minha carteira de investimentos apresentou um retorno anual de 11,46% com uma volatilidade de 6,19% e um Sharpe de 0,80. Esse retorno equivale a 176,04% do CDI do período. Você investiria num fundo administrado pelo mendigo? Eu fui melhor ou pior que gestores profissionais? Vamos comparar meus resultados com diversos fundos multimercado que estão disponíveis na minha corretora:



O que eu consigo observar nessa tabela é que minha carteira teve uma rentabilidade boa, mas apresentou uma volatilidade mais alta que a média.

Isso significa que eu sou melhor que os gestores do fundo Bahia Maraú por exemplo?
Claro que não. A questão é que um ano é pouco para avaliar fundos com essa volatilidade de 3 a 6%.
Pegando um histórico mais longo o Maraú entrega mais de 288% do CDI em 5 anos. Meu portfólio de investimentos vai apresentar resultados assim em 5 anos? Dificilmente.

Outro exemplo de como o curto prazo distorce as coisas. Veja o fundo Kondor Long Short ele entregou mais rentabilidade que o meu fundo com metade do risco. Eu deveria aplicar todo meu dinheiro nesse fundo então? Claro que não. Dois problemas. Falta de diversificação e olhando um prazo maior o Kondor entrega 140% do CDI nos últimos 7 anos. Ainda bom, mas longe da maravilha que foi nesse último ano.

Outra coisa que me pegou de surpresa foi descobrir que eu sou um investidor arrojado. Minha corretora pediu pra eu refazer o questionário de perfil e o resultado que sempre era moderado deu arrojado. Fui pesquisar mais sobre os parâmetros que definem os perfis de investidores e encontrei algo do tipo:

Investidor Conservador - Volatilidade da carteira abaixo de 1,5% - Ganho esperado 105% do CDI
Investidor Moderado - Volatilidade da carteira entre 1,5 e 3,0% - Ganho esperado 112% do CDI
Investidor Arrojado - Volatilidade da carteira acima de 3,0% - Ganho esperado 120% do CDI

Então sim, minha carteira com um risco de 6,19% me coloca num perfil arrojado.

Tem vários graus de arrojo. O ibovespa, por exemplo, apresenta uma volatilidade na casa dos 20%, assim um cara que só tem ações é 3x mais arrojado que eu. Mas será que no longo prazo ele apresenta resultados 3x melhores? Se for considerar a média do mercado não. O ibovespa perde para o CDI considerando um horizonte de 14 anos. Por isso que eu olho com desconfiança o mercado brasileiro de ações e estou apostando mais no americano.

Atualização de patrimônio NOV/2018:

Patrimônio = R$ 667’426,60
Aporte = R$ -35’362,84 (-5,30% patrimônio)
Rentabilidade = 2,73%
Inflação = 0,48%
CDI = 0,54%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 11,29%
Inflação acumulada = 4,11%
CDI livre de IR acumulado = 5,40%
CDI + Inflação = 9,51%

Primeira vez um aporte negativo na carteira. Depois de 6 anos e meio morando de aluguel comprei um imóvel. Vai aumentar minha qualidade de vida (mais próximo do trabalho) e vai possibilitar maiores aportes. Não é o imóvel dos “sonhos” por assim dizer, e sim um imóvel que eu analisei e disse “posso morar 10 anos nesse imóvel”.
 
Sacrifícios devem ser feitos para alcançar a independência financeira. Não um sacrifício extremo, deixando de viver, e sim vivendo um pouco abaixo do padrão hoje, para viver mais tranquilo amanhã.



 
Boa caminhada rumo à IF confrades!

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Quanto é um bom salário? E atualização do patrimônio de OUT/2018

Tá ai uma coisa que é difícil de responder universalmente. Cada pessoa vai ter uma resposta individual. Cada pessoa teve uma trajetória de vida. Uns vão dizer que com 2 salários mínimos estão satisfeitos outros vão argumentar que com menos de 20 salários mínimos é impossível ser feliz.

Fazendo uma pesquisa com várias categorias de gastos.
Vou considerar que a pessoa não mora com os pais, não tem imóvel próprio e não tem carro.

Moradia
Alimentação
Transporte
Lazer
Viagem
Roupas
Eletrônicos
Móveis e eletrônicos

Moradia:
Aluguel + condomínio de um apartamento 2q: R$ 650
Gás +eletricidade + internet: R$ 200

Alimentação:
Ingestão de 2000 kcal/dia de arroz, feijão, carne moída, ovo e salada: R$ 320
2 idas ao restaurante por mês: R$ 100

Transporte:
02 passagens por dia: R$ 270
Táxi 1 vez por mês: R$70

Lazer:
TV 40” para trocar em 5 anos: R$ 25
Videogame para trocar em 5 anos: R$ 30
1 jogo a cada 2 meses: R$ 40
2 botecos mês: R$ 100

Viagem:
1 viagem pra praia por 7 dias por ano: R$ 105

Roupas:
4 calças, 8 camisas, 10 cuecas, 10 meias, 2 tênis, 1 sapato. Duram 2 anos: R$ 60

Eletrônicos:
Celular + plano trocar em 3 anos: R$ 70
Notebook trocar em 6 anos: R$ 45

Móveis e eletrodomésticos
Geladeira trocar em 10 anos: R$ 16
Colchão e box trocar em 10 anos: R$ 16
Mesa trocar em 10 anos: R$ 13
Sofá trocar em 10 anos: R$ 8
Guarda roupa trocar em 10 anos: R$ 6

Somando tudo: R$ 2144

Contando que você vai economizar mais 5% do salário para uma reserva de emergência: R$ 2260 líquidos. Ou um salário bruto de R$ 2550

Dá pra dizer que esse é o meu salário mínimo. Por menos que isso eu não saio de casa.
Temos como parâmetro também o salário mínimo do Dieese que está em R$ 3753, então o meu salário mínimo é 68% do salário do Dieese.

Hoje eu vivo com 133% do salário do Dieese e planejo me aposentar com uma renda entre 150% e 200% do salário do Dieese, ou seja, entre R$ 5730 e R$ 7510 mensais.

Atualização de patrimônio OUT/2018:

Patrimônio = R$ 685`081,63
Aporte = R$ 13`000,69 (1,90% patrimônio)
Rentabilidade = 4,27%
Inflação = 0,43%
CDI = 0,47%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 8,33%
Inflação acumulada = 3,63%
CDI livre de IR acumulado = 4,94%
CDI + Inflação = 8,57%

Esse mês eu tive o maior rendimento desde que eu comecei a acompanhar: 4,27%, um ganho de mais de R$ 28k em apenas um mês. Para colocar isso em perspectiva, esse dinheiro paga quase 3 anos do meu aluguel.

E de onde veio esse rendimento? A maior parte de um título do tesouro IPCA+ 2035 que eu comprei na época do impeachment da Dilma. Esse título veio se desvalorizando durante o ano com o aumento dos juros futuros e explodiu de valor com a queda dos juros futuros, decorrente da vitória do Bolsonaro.

O rendimento desse mês salvou o ano, colocando minha carteira como mais rentável que o CDI novamente e quase alcançando o CDI+inflação. Minha carteira nunca esteve abaixo da inflação, ficou acima do CDI 64% do tempo e acima do CDI+inflação 45% do tempo.





Boa caminhada rumo à IF confrades!

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Vale a pena comprar um imóvel e deixar o aluguel? E atualização do patrimônio de SET/2018

Vou falar de uma vez, tenho birra com imóveis. Esse desgosto com imóveis é multifatorial. Um dos fatores é que eu perdi o boom imobiliário que ocorreu entre 2007 e 2014. Quando os imóveis estavam baratos eu não tinha dinheiro e quando eu comecei a ter dinheiro o preço disparou. Paciência, fiz as contas e decidi morar de aluguel. Outro fator é o pensamento de 99% das pessoas que imóvel é um bom negócio a qualquer preço, não é.

6 anos atrás decidi pelo aluguel e considerando um aluguel médio de R$ 703 e que eu apliquei esse valor todo mês num CDB 100% do CDI descontado a IR o valor acumulado é R$ 59`400.

Esse foi o valor que eu “joguei fora” com o aluguel.

E se eu tivesse comprado um imóvel?
O imóvel que eu estava de olho em 2012 custava R$ 170k. Eu não sei qual era o meu patrimônio em 2012 o valor mais antigo que eu tenho anotado é de janeiro de 2016, R$ 244k. É razoável supor que meu patrimônio em 2013 era menor que os R$170k que custavam o imóvel.

Simulando um financiamento de 35 anos onde é dado 30% do valor do imóvel como entrada:
Entrada: R$ 51k
Financiado: 119k
Gasto com o financiamento: R$ 345k

Vou desconsiderar o custo de oportunidade do valor da entrada uma vez que eu usaria o FGTS.
A parcela inicial do financiamento seria R$ 1332 enquanto meu aluguel em 2012 era R$ 565.

Eu pagaria mais de 2 imóveis e terminaria de pagar esse financiamento em 2047 com 68 anos de idade. Tá aí o sonho (pesadelo) da casa própria.

Voltando a 2018. Meu aluguel custa R$ 840 e o imóvel (que sempre valoriza) está anunciado por R$ 140k.

O imóvel que eu estou de olho é próximo a onde eu trabalho, o que vai me economizar muitas horar de deslocamento. Como eu planejo atingir a IF em pouco mais de 10 anos é esse o prazo que eu vou usar para simular meus gastos com aluguel e imóvel.

Gastos com aluguel:

Considerando um aluguel de R$ 840 aplicado em 100% do CDI livre de IR e considerando que esse aluguel será reajustado pelo IGPM e que a variação do IGPM pelos próximos 10 anos será igual aos últimos 6 anos: R$ 191’900

Gastos com a compra do imóvel:
Hoje eu tenho R$ 100k no FGTS assim vou ignorar o custo de oportunidade dessa parcela.
Vou considerar um gasto extra de R$ 5k com a documentação da compra e a diferença entre o preço do imóvel e o FGTS, então o custo de oportunidade de R$ 45k é: R$ 76’200.

O FGTS distorce bastante em favor da compra do imóvel, apontando um ganho patrimonial de R$ 115’700 em 10 anos se eu comprar o imóvel.

O ganho por ter esperado 6 anos, isso é, não utilizado financiamento para comprar é ainda maior R$ 209’400.

“Jogar fora” o dinheiro do aluguel pode me levar a ter um ganho de R$ 1090 por mês por 16 anos.

Outra forma de pensar é considerar que eu vou passar a ter um rendimento líquido de R$ 840 (988 bruto) em uma aplicação R$ 45k isso dá um rendimento de 2,2 ao mês, com o CDI a 0,52% é equivalente a aplicar num CDB de 422% do CDI.

Esse é o tipo de ganho que você tem ao escolher ganhar juros ao invés de pagar juros.

Lógico que a história poderia ser diferente e o imóvel poderia ter se valorizado acima da inflação e custar hoje R$ 250k. Toda decisão é uma especulação acerca do futuro, as vezes você acerta, as vezes erra. Felizmente nessa eu acertei.


Atualização de patrimônio SET/2018:

Patrimônio = R$ 644’021
Aporte = R$ 501 (0,078% patrimônio)
Rentabilidade = -0,54%
Inflação = 0,06%
CDI = 0,52%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 3,90%
Inflação acumulada = 3,20%
CDI livre de IR acumulado = 4,48%
CDI + Inflação = 7,68%

Aporte bem abaixo do normal por conta do sinal que eu dei na compra do imóvel. Mês que vem a expectativa é de aporte negativo para pagar o restante do negócio.

Carteira rendendo abaixo do CDI novamente. De 10 meses eu fiquei 3 abaixo do CDI. Eu espero que minha carteira fique sempre acima do CDI num médio prazo de 2 anos. O lado ruim de acompanhar certinho sua vida financeira é que isso destrói a sua ilusão de ser um mestre dos investimentos.





Boa caminhada rumo à IF confrades!

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Quanto gastar com carro? E atualização do patrimônio de AGO/2018

Eu não acho adequado gastar mais do que 10% da minha renda bruta anual com um carro.
Assim com uma renda mensal de R$ 11’800 o máximo a ser destinado com o custo do carro por ano é R$ 14’160.

Carro de qual valor gera gastos nessa faixa?
Ai que a coisa complica. Os custos podem ser separados em classes: fixos, variáveis e financeiros.

Nos custos fixos considerei:
6% ao ano de seguro
6% ao ano de depreciação
4% ao ano de manutenção
4% ao ano de impostos e taxas

Nos custos variáveis considerei:
2400 km ao ano de combustível

Nos custos financeiros considerei:
Custo de oportunidade baseado num CDI descontado imposto de renda

Seguindo essas premissas o carro deve custar até R$ 52’348.
Como no meu caso eu rodo pouco os custos fixos é que mandam e o custo por km rodado fica em R$ 5,90.

Estou de olho num sedan médio com 3 anos de uso na faixa dos R$ 50k.

Simulando o uso de um UberBlack o custo é de R$ 4,40/km. Considerando que eu vejo vantagem na comodidade/status de ter um carro e aceito pagar 10% mais no valor do km rodado (4,84) eu teria que rodar 2834 km por ano para igualar os custos do uber. Rodando os 2400 km por ano o custo do carro deve ser R$ 42’345

Eu achei que o uber era mais barato. Notem que mesmo rodando pouco (260 km/mês) um carro de R$ 50k iguala os custos por km do uber. E você tem o carro sempre a disposição, pode fazer viagens, etc. E quanto mais você rodar mais barato por km vai ficar.

A compra de um carro não se resume aos aspectos financeiros. Uma coisa que eu não abro mão é da segurança. Coloquei como condição obrigatória que o carro tenha pelo menos 4 estrelas no crash test. Não faz sentido a meu ver, ter todo esse trabalho de economizar para alcançar a IF e comprar um carro que tem alta probabilidade de te matar num acidente.

Vou simular outras condições. Qual a renda que permite comprar um carro popular zero de R$ 30k rodando 10k km por ano? R$ 8858. Custo de R$ 1,06/km.
Raro ver isso, alguém com renda de mais de 8k se contentando com um carro popular.

O mais comum é ver alguém com renda de R$ 4k comprando carro de R$ 80k. Isso leva a um comprometimento de quase 50% da renda. A conta não fecha. Assim esse camarada, para poder ter esse carro, deixa de pagar seguro, deixa de fazer manutenção, deixa de pagar imposto, além de rodar menos com o carro para economizar. Fazendo isso ainda compromete 22% da renda com o veículo.

Quando eu era mais novo vi um caso assim na prática. Nenhum dos meus amigos tinha carro e o primeiro deles a comprar foi nessas condições bizarras. Deixava o carro quase 100% do tempo na garagem. Não saia por medo que roubassem o carro e não tinha grana para o combustível. Vale a pena ter carro nessas condições? Ou é melhor ter um carro adequado ao seu bolso que vai poder ser usado sem preocupações.

A situação do transporte no país é uma merda. Quais as opções?

Bicicleta: restrito a lugares planos, com clima bom, e com infraestrutura (ciclovias, local para deixar a bicicleta, chuveiros).

Ônibus: desconfortável, demorado, chance de sofrer arrastão, chance de ser queimado dentro do ônibus.

Moto: segurança zero, desconfortável.

Uber: baixa segurança, zero preocupação com carro.

Carro: baixa segurança nos modelos mais básicos. De bônus os gastos com um carro inadequado podem manter você na pobreza para sempre.

Atualização de patrimônio AGO/2018:

Patrimônio = R$ 647’009,29
Aporte = R$ 8393,62 (1,30% patrimônio)
Rentabilidade = 0,47%
Inflação = 0,24%
CDI = 0,52%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 4,46%
Inflação acumulada = 3,14%
CDI livre de IR acumulado = 4,04%
CDI + Inflação = 7,18%

Ter três meses com aumento dos ativos depois do banho de sangue do começo do ano é muito bom.
Minha rentabilidade venceu 2 dos 3 benchmarks.

Meus ativos devem diminuir nos próximos meses e meus aportes devem aumentar, pois estou pensando em comprar um imóvel. Nunca pensei que teria um imóvel, mas assim é a vida: avaliação e mudança.
A compra desse imóvel vai consumir minha reserva de emergência então os investimentos nos próximos meses não terão segredo, recompor essa reserva de emergência/liquidez.



Boa caminhada rumo à IF confrades!

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Quanto tempo você sobreviveria hoje se fosse mandado embora do emprego? E atualização do patrimônio de JUL/2018

Esse post não está descolado da realidade. A empresa onde eu trabalho está para ser vendida e nesses casos, não dá pra ser inocente, a verdade é que pessoas serão mandadas embora.

De todos os meus investimentos o que eu tenho liquido é aproximadamente R$ 450k e uns R$ 163k presos.

Sendo mandado embora vou receber o FGTS uns R$ 100k e a previdência privada uns R$ 150k.
Assim terei uns R$ 700k disponíveis para me gerar renda.

Para essa simulação utilizarei o tesouro IPCA+ 2050 com juros semestrais que está pagando 5,55%+IPCA. Considerarei uma inflação de 4,5% ao ano e que meus gastos são os mesmos de hoje R$ 5k por mês e eles são reajustados anualmente pela inflação.

Quanto tempo eu consigo ficar sem trabalhar nessas condições?
Meu dinheiro dura até os 57 anos. Ou seja, dura por 18 anos.

E se eu baixar meu padrão de vida? Me mudar para um lugar mais barato, trocar o carro por um mais barato, gastar menos em restaurantes e viagens. Calculo que eu poderia sem grandes sacrifícios gastar metade do que gasto hoje. Quanto tempo duraria meu dinheiro então?

Meu dinheiro duraria para sempre, isto é, o rendimento livre da inflação pagaria todas as despesas e ainda aumentaria o patrimônio. Ou seja, a tão sonhada independência financeira.

Outra possibilidade é aplicar o conceito de geo arbitragem que eu vi no blog aposenteaos40. Veja o post: http://www.aposenteaos40.org/2018/05/em-quais-cidades-do-mundo-voce-ja-seria.html

Assim de acordo com o site eu poderia manter o padrão de vida hoje gastando em média U$ 800 (R$ 3000) em Bogotá na Colômbia ou em Quito no Equador. Quanto tempo duraria meu dinheiro?
Duraria para sempre.

Uma última simulação é quanto eu poderia gastar por mês para que o dinheiro durasse até os 85 anos? R$ 3390.

Resumindo:
Caso eu seja mandado embora hoje eu tenho 3 caminhos:

- Continuar com o mesmo nível de gastos e acabar o dinheiro em 18 anos (acho que em 18 anos dá pra achar outro emprego)
- Baixar meus gastos de R$ 5000 por mês para R$ 3390 e viver a independência financeira.
- Me mudar para um lugar mais barato e viver a liberdade financeira, isto é, uma independência financeira com o padrão que eu tenho hoje.

Provavelmente eu adotaria uma solução hibrida: procuraria outro emprego com calma, aplicaria a geo arbitragem dentro do Brasil me mudando para uma cidade mais barata e reduziria um pouco meu padrão de vida.

Considero a situação que eu estou hoje, não a ideal, mas com algum conforto para enfrentar a situação.
Com certeza absoluta eu estou muito mais tranquilo do que colegas que ganham mais do que eu, mas gastam ainda mais e apesar de ter algum patrimônio (casa e carro geralmente) possuem muitas dívidas em empréstimos.

Atualização de patrimônio JUN/2018:

Patrimônio = R$ 635’567,54
Aporte = R$ 3588,82 (0,56% patrimônio)
Rentabilidade = 1,43%
Inflação = 1,27%
CDI = 0,44%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 3,97%
Inflação acumulada = 2,91%
CDI livre de IR acumulado = 3,60%
CDI + Inflação = 6,51% 

 
Destaque do mês é a interrupção da negociação das cotas do MFII11 pela CVM por suspeita de pirâmide financeira. Eu que sempre odiei pirâmides e pirâmideiros gananciosos, talvez tenha caído em uma PQP. Ai vemos a importância da diversificação, esse FII correspondia a 0,51% da minha carteira, a cota pode ir a zero que eu não vou perder uma noite de sono. Agora imagina se eu tivesse dado all-in nesse FII? Estaria muito preocupado e estressado agora. Diversificação de ativos não é para você ganhar mais e sim uma estratégia para evitar perder suas economias conquistadas com tanto custo.

Boa rentabilidade esse mês, mas a verdade é que os dois últimos meses foram só para recuperar o banho de sangue que foi maio.
Inflação disparou, mas os economistas dizem que é um efeito passageiro causado pela greve dos caminhoneiros.

Aporte um pouco baixo (estou tentando manter acima de R$ 4k) pela compra de um bem durável. Comprei um monitor novo e espero que ele me sirva pelos próximos 10 anos.

Outra novidade é a adoção de novos benchmark para rentabilidade acumulada: inflação, CDI livre de IR e CDI + inflação. Se os investimentos renderem menos que a inflação significa que eles estão horríveis e eu deveria abandonar a gestão do meu patrimônio e deixar isso para outra pessoa. Se os seus investimentos estiverem abaixo do CDI livre de IR significa que era melhor deixar todo meu dinheiro todo numa renda fixa pós fixada. Se os seus investimentos estiverem acima do CDI + inflação, ai sim eles estão bem investidos. Vou dar um prazo de 24 meses antes de levar a sério os resultados, pois existe a volatilidade e os investimentos, na teoria, vão mostrar sua força no longo prazo.

Outra coisa a se comentar é a morte do VDC.
Polta que pariu! Não conhecia o cara, mas senti. Acho que por ter uma filosofia de vida parecida.
É por essas que eu acho o modo zumbi uma besteira, não se sabe o dia de amanhã.
Continuo achando minha estratégia de poupar 50% da renda liquida a melhor.
Não privar o hoje, não privar o amanhã. Equilíbrio sempre.

Boa caminhada rumo à IF confrades!

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Cálculos Inúteis e atualização do patrimônio de JUN/2018

Pela internet afora vemos uma série de projeções que tem por objetivo mostrar se você tem o patrimônio “adequado” para sua idade.
Quando almejamos a aposentadoria antecipada temos que ter cuidado com os conselhos de especialistas, uma vez que esses conselhos são genéricos e mais adequados à massa que vive endividada e mal consegue poupar. Se você está fazendo um pé-de-meia para se aposentar sem depender do governo você é a minoria da minoria. E como vimos num post anterior economizar 10% do salário como propagam por ai vai fazer você trabalhar por 56 anos se tiver uma taxa de retorno de 4,5% a.a livre de inflação e impostos. 


Um dos parâmetros que encontramos é a Taxa de Retenção de Patrimônio:

(patrimônio atual) / (tudo que você recebeu até hoje) * 100

Consegui fazer esse calculo apenas porque eu tenho uma planilha que eu anoto todos os salários, 13º salários, adicional de férias e bônus desde que eu comecei a trabalhar. Está ai a dificuldade, quem faz isso?

Em 10 anos eu recebi incríveis R$ 826’032,00 líquidos o que dá uma média de R$ 6883,30 por mês. No começo da carreira eu ganhava muito menos que isso e agora eu ganho mais. O que eu deixei de fora? O FGTS e a previdência privada, pois eu não fiz esse acompanhamento de quanto eu recebi via esses dois instrumentos e como eles entrariam nas duas partes do calculo a falta deles não distorce muito o resultado.

Fazendo o calculo:

660000 / 826032 * 100 = 79,9%

Isso é bom ou é ruim? Não sei. Que parâmetro de comparação eu tenho? Pessoas bem-sucedidas retém quanto? Quanto mais retenção melhor?

Num calculo que eu vi fazerem o cara tinha retido 98% do que ele ganhou na vida. Devo me sentir um merda por reter só 79,9%?

Outra forma de ver esse calculo é descobrir o quanto você consumiu do que você recebeu.

826032 – 660000 = 166032

Ou seja, eu gastei em média R$ 1383,60 por mês nos últimos 10 anos.


Patrimônio ideal para idade:

Nesse eu achei duas fórmulas.

(Patrimônio Ideal para Idade 1) = 10% * (12 * Gasto Médio Mensal) * Idade

(Patrimônio Ideal para Idade 2) = 10% * (Renda bruta anual) * Idade

PII 1 = 0,1 * (12 * 5000) * 39 = R$ 234’000,00

PII 2 = 0,1 * 162000 * 39 = R$ 631’800,00

Num dos cálculos meu patrimônio está bem acima e no outro um pouco abaixo. De novo, qual a utilidade desses cálculos? Fazer você se sentir bem ou mal?

A meu ver um parâmetro muito mais útil e adequado é descobrir quanto seu patrimônio renderia se fosse totalmente convertido em ativos geradores de renda como tesouro IPCA+ e FII.

IPCA+ com juros semestrais: IPCA + 5,18%

Carteira FII: 8,3%

Assim meu patrimônio renderia:

IPCA+ = 34188 * 0,85 = R$ 2421,65 / mês

FII = 54780 = R$ 4565,00 / mês

Ou considerando uma carteira 50% em cada ativo: R$ 3493,32 / mês

Como meus gastos estão na faixa de 5000 / mês eu estou a 69,9% da independência financeira.

Fiquei impressionado com a geração de renda dos FII, eu peguei os rendimentos do ano passado e como sou novato nos FII pode ser que esse rendimento não se repita esse ano.

Se eu perdesse o emprego hoje acho que daria all-in nos FII, me mudaria para um lugar mais barato, trocaria por um carro mais econômico ou ficaria sem carro e teria um lazer mais simples. Assim diminuiria meus gastos para faixa de uns 3000 e receberia 4565 dos FII o que me deixaria numa situação bem confortável para experimentar a aposentadoria e buscar outra colocação sem desespero.



Atualização de patrimônio JUN/2018:

Patrimônio = R$ 623’001,69
Aporte = R$ 7558,42 (1,21% patrimônio)
Rentabilidade = 0,82%
Inflação = 0,27%
CDI = 0,52%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 2,5%
Inflação acumulada = 1,64%
CDI acumulado = 3,72%
Ganho do ativo livre de risco = -16%





Olha eu imaginei que bater CDI + inflação seria fácil. Mas não é. Para uma carteira que tivesse um comportamento de poupança, isto é, que as variações sejam sempre pra cima eu teria que ter toda ela em juros pós fixados. Considerando que o ativo livre de risco paga 100% do CDI o que livre de imposto dá 0,44% ao mês, o CDI + inflação deu 0,79% esse mês.

Assim uma carteira sem risco rende 56% da meta. Para ultrapassar a meta é obrigatório então aplicar em renda fixa pós fixada e renda variável, ou seja, aumentar o risco. Assim pra tentar ganhar mais dinheiro você tem que arriscar perder dinheiro.

O problema é que quando você aumenta o risco você tem mais oscilações no curto prazo para colher um melhor rendimento no longo prazo. Então é aconselhável não levar a sério as variações de curto prazo. Considerando a rentabilidade acumulada da minha carteira nesses 7 meses eu tive uma perda de 16% em relação ao ativo livre de risco.

Por enquanto era mais rentável deixar todo meu dinheiro em juro pós-fixado. Espero que num prazo maior isso mude, pois é muito ruim ter todo o trabalho para gerenciar uma carteira diversificada para ganhar menos dinheiro que o ativo livre de risco.

Boa caminhada rumo à IF confrades!

sábado, 2 de junho de 2018

Alocação de ativos variável no tempo. E atualização do patrimônio de MAI/2018

Eu tenho hoje um plano para meus investimentos que sempre me pareceu razoável.
Reserva de emergência com liquidez de 1 ano de gastos
75% em renda fixa (inclui reserva de emergência)
25% em renda variável

Meu plano para aposentadoria era ir diminuindo a exposição à renda variável até que com 65 anos eu tivesse apenas renda fixa. O motivo disso são dois: diminuir a exposição ao risco e tornar os investimentos menos trabalhosos.

Imagine você com 70 anos de idade, retirando parte da sua renda do seu patrimônio e bem exposto a renda variável, daí acontece uma crise grande por um motivo qualquer e do dia pra noite você perde 40% do valor dos seus ativos. Isso teria um impacto bem desagradável na sua renda e no pior momento possível. Pode-se alegar que, se você tem renda variável de qualidade, no longo prazo sua carteira vai se recuperar, mas a verdade é: quanto mais velho você é, menos “longo prazo” você tem. Por isso diminuir a exposição a riscos eu considero importante.

Tornar os investimentos menos trabalhosos me parece interessante também. Hoje eu consigo acompanhar meu investimento diariamente (mas não acompanho, pois uma vez por mês tá bom). Mas quando eu estiver aposentado quero que meus investimentos estejam no automático. Seja porque eu viajarei por 3 meses para um lugar sem acesso à internet, seja porque eu tive um problema de saúde e não pude acompanhar isso.

Analisando agora eu vejo que montei meu plano considerando apenas o risco da renda variável e ignorei a concentração em apenas um tipo de investimento. Se meu plano é viver de renda proveniente 100% de renda fixa, qual o único produto financeiro de renda fixa que gera renda? Título do tesouro com cupons semestrais de juros. Ou seja, eu acho loucura quem depende 100% do INSS e vou depender 100% do governo? Não parece bom.

Eu pesquisei fundos de previdência recentemente e vi que alguns adotam uma estratégia de modificar o percentual de alocação de ativos conforme a sua idade. Achei os fundos uma merda, mas essa ideia parece legal.

Pensei então em dividir o risco de tal forma que, quando eu estiver com 65 anos, meu patrimônio esteja dividido em 50% renda fixa que gera renda (títulos do tesouro com cupons semestrais) e 50% renda variável de baixa volatilidade que gera renda (FII).

Considerando minha idade 39 e minha previsão de se aposentar aos 52, montei uma tabela de alocação dinâmica para guiar meus investimentos.


Assim temos várias mudanças na minha estratégia de alocação: evitar a concentração em apenas um tipo de ativo, adotar um percentual de alocação variável no tempo, separar a renda variável em baixa volatilidade e alta volatilidade. Assim o que eu pretendo é zerar apenas a renda variável de alta volatilidade na velhice.

Classes de ativos que eu conheço e invisto:

Renda fixa: títulos do tesouro, CDB, LCI, LCA, LC, debêntures, fundo de renda fixa.

Renda variável de baixa volatilidade: FII, fundo multimercado de baixa volatilidade.

Renda variável de alta volatilidade: Ações, ETF, fundo de ações, fundo multimercado de alta volatilidade.

O plano é aos 65 anos ter metade do patrimônio em título do tesouro IPCA+ com cupom semestral e metade em FII. Parece um plano melhor que ter 100% em título do tesouro.

Atualização de patrimônio MAI/2018:

Patrimônio = R$ 610’375,79
Aporte = R$ 4847,62 (0,79% patrimônio)
Rentabilidade bruta = -2,40%
Inflação = 0,11%
CDI = 0,52%
%CDI = -463,60%
Rentabilidade acumulada desde dez 2017 = 1,66%
Inflação acumulada = 1,36%
CDI acumulado = 3,20%



Esse mês foi um banho de sangue. Minha carteira devolveu todo o ganho desde o início do ano. O culpado mais uma vez foi a marcação a mercado do tesouro IPCA. Como o vencimento do meu título é longo, para 2035, ele sofre bastante quando o juro futuro varia.

É meio triste ver que o rendimento da minha carteira está menor do que se eu colocasse todo meu dinheiro no tesouro SELIC. Tanto trabalho aparentemente jogado fora. Mas nas finanças mais do que conhecimento técnico você tem que ter alguma fé nos números e um psicológico forte.

Porque é bem desagradável constatar que minha perda foi da ordem de R$ 15k, enquanto meus gastos foram da ordem de R$ 3k. Ou seja, eu perdi 5 meses de aposentadoria.

Mas nada a mudar na estratégia, fica apenas o lembrete que apesar do nome renda fixa, títulos do tesouro prefixados e atrelados a inflação possuem bastante volatilidade. Saiba onde você está pisando antes de investir.

Engraçado que apenas alguns meses atrás meus investimentos tinham rendido bem, ai eu me achei o gênio dos investimentos e em meses como esse eu me acho um merda. O importante é a constância e a evolução considerando um prazo maior. É claro que digamos que eu acompanhe meu desempenho por 3 anos e consiga a peripécia de ter um rendimento menor que o tesouro SELIC nesse período. Aí é o caso de encarar que eu não tenho talento para coisa.

Minha previsão de ter R$ 710k no fim do ano fica mais difícil de se concretizar.

Boa caminhada rumo à IF confrades!