quarta-feira, 1 de abril de 2026

Patrimonialismo. E atualização do patrimônio de MAR/2026

“Aqueles que desistem da liberdade essencial, por um pouco de segurança temporária, terminarão sem a liberdade e sem a segurança.” - Benjamin Franklin

Eu enxergo que o Brasil opera sob um mecanismo topo-base. Onde as elites, ou seja, o topo, controlam a política por meio de financiamento de campanhas e compra de decisões judiciais de tribunais superiores. E os mais pobres, a base, é mantida alienada por uma educação estatal doutrinadora e de má qualidade técnica, controlada pelo recebimento de migalhas para continuar votando na mesma elite de sempre. E para quem está no meio, sobra pagar a conta, por meio de impostos cada vez mais abusivos e serviços públicos de péssima qualidade.

O patrimonialismo é a chave mestra para entender por que, no Brasil, a máquina pública muitas vezes parece trabalhar contra o cidadão e a favor de si mesma.
Em termos simples, o patrimonialismo ocorre quando desaparece a fronteira entre o que é público e o que é privado. O governante ou o alto funcionário trata o Estado (o patrimônio público) como se fosse sua própria casa ou empresa.
 

No clássico Os Donos do Poder, o jurista Raymundo Faoro argumenta que o Brasil não é governado por uma classe social (como a burguesia), mas por um estamento burocrático.
É um grupo de pessoas (políticos, altos juízes, cúpula do funcionalismo) que se organiza para extrair renda da sociedade. Eles não querem necessariamente o progresso do país, mas a manutenção de seus próprios privilégios (auxílios, super salários, estabilidade absoluta e poder de decisão).
Faoro explica que trouxemos isso de Portugal, onde o Rei era o dono de tudo e distribuía cargos e terras para seus amigos em troca de lealdade. O “amigo do rei” é a figura central do patrimonialismo.
 

Como o Patrimonialismo opera hoje?
O capitalismo de laços. No Brasil, para uma empresa crescer muito, muitas vezes ela não precisa ser a mais eficiente, mas sim ter os contatos certos.
Subsídios e isenções. O governo escolhe “campeões nacionais” para receber empréstimos subsidiados ou perdões de dívidas. Isso sufoca o pequeno empreendedor, a classe média que não tem acesso aos corredores de Brasília e paga o imposto cheio.
O loteamento de cargos. Em uma democracia saudável, cargos técnicos são ocupados por mérito. No patrimonialismo, cargos em estatais e ministérios são moedas de troca.
O político apoia o governo em troca de controlar o orçamento de um ministério.
Isso gera a má qualidade dos serviços, o foco não é a eficiência do serviço prestado à base, mas sim quem vai gerir os contratos e as licitações.
A justiça como privilégio. O patrimonialismo cria uma justiça de dois níveis:
Para o estamento: Um sistema lento, cheio de recursos e blindagens (como o foro privilegiado).
Para o cidadão comum: Um sistema congestionado e punitivo.
 

A Pirâmide do Patrimonialismo Brasileiro
O Estamento -- O Estado é o “provedor” -- O imposto é a sua fonte de renda e poder.
A Elite Econômica -- O Estado é o “sócio” -- O imposto é algo a ser evitado via lobby ou subsídio. O Estado serve para eliminar os concorrentes.
A Classe Média -- O Estado é o “fardo” -- O imposto é uma perda direta de renda sem retorno.
A Base Social -- O Estado é o “salvador” -- O imposto é invisível (embutido no consumo) e o serviço precário é visto como “ajuda”.

Por que é tão difícil mudar?
O patrimonialismo é um sistema de retroalimentação. Para reformar o Estado e reduzir os privilégios, você precisa que os próprios beneficiários dos privilégios votem essas leis. É o que chamamos de "pedir ao peru para votar a favor do Natal".
O resultado é essa sensação de “moedor de carne” para quem está no meio: você trabalha para sustentar uma estrutura que não te protege, educa mal a base para que ela não reclame e garante que o topo nunca perca o padrão de vida.

Os problemas do Brasil são extremamente profundos, mas adivinha o que você verá nas eleições desse ano? O mesmo circo de sempre.

 

Patrimônio de MAR/2026

Patrimônio = R$ 2’327’539,22
Aporte = R$ 10,37 (0% patrimônio)
Rentabilidade = -2,05%, acumulado 12m = 6,80%
Inflação = 0,49%, acumulado 12m = 1,99%
CDI = 1,16%, acumulado 12m = 14,71%

Renda dos FII = R$ 5’615,30
Renda da PP = R$ 5’572,88
Renda do Tesouro = R$ 1’347,06
Renda Total = R$ 12’535,24
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000

Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.

Que fiasco essa guerra contra o Irã. É sério que os americanos entraram nessa patacoada sem plano nenhum para a coisa mais óbvia que o Irã faria se fosse atacado, fechar o estreito de Ormuz?
Enfim, só nos resta acompanhar mais uma merda se desenrolando no mundo e torcer para ser afetado o mínimo.
Como se já não tivéssemos problemas internos o suficiente. O governo avançando o autoritarismo a passos largos com leis da mordaça e a “direita” batendo palmas, rindo e acenando.
CPMI do INSS acabou em uma gigantesca pizza, como era de se esperar.
E normalizamos ministros da suprema corte serem abertamente bandidos.
Que deplorável que eu tenha que concordar com a Carmem Lúcia, o país é formado por 200 milhões de ditadores, onde cada um quer usar a força do judiciário para calar que pensa diferente, em vez de brigar por liberdade para todos.






Ad augusta, per angusta.

Um comentário:

  1. Vc esqueceu mais um elemento da elite que só quer manter os privilegios acima de qualquer interesse nacional, e que sao amigos do rei: os religiosos - aqui no Brasil representados pelos neopentecostais. O STF apesar de imperfeito foi o que salvou a democracia no país das mãos dessa turma - o unico risco de autoritarismo real pelo qual passamos foi um presidente que pela primeira vez na história nao aceitou o resultado das eleições e tentou um golpe de estado financiado por grandes empresarios e pastores evangelicos Entao, nao concordo que o país avance no autoristarismo hoje, mas pode mudar se a familia Bolsonaro voltar ao poder porque já mostraram que se tem uma coisa que sabem fazer é pensar em seus proprios interesses (chegando ao cumulo de conspirar com o Trump contra o país para seus objetivos), e de quebra, o inicio de uma quase teocracia neopentecostal com o unico objetivo de expandir seus dominios. Num recente documentario o proprio mentor do Bolsonaro , Malafaia, fala com todas as letras: "nós evangélicos queremos estar no lesgislativo, executivo e judiciario, em todas as esferas". Junta-se a isso a ignorancia das pessoas, falta de educação, e uma dose de reacionarismo, e é dificil ser otimista com o Brasil mesmo

    ResponderExcluir