domingo, 1 de fevereiro de 2026

Ganhos e gastos de 2025. E atualização do patrimônio de JAN/2026

 “Você não está aqui para fazer a escolha, você já escolheu. Você está aqui para entender a escolha feita.” - Oráculo.

Resumo mensal:


Agora na IF não faz mais sentido acompanhar o salário e o aporte, então o salário eu vou manter registro do “salário” do ano, que é meu teto de gastos e cortei o acompanhamento do aporte.

Meu salário para 2026 equivale a 6,48 salários-mínimos. (SM = 1621)
Se chegar a 8 SM eu chego na classe B1, classe média alta. Será que os investimentos me possibilitariam mudar de classe social? Só o tempo dirá.
Meu salário mensal compra 13,76 g de ouro. (1 g = 763)
Meu salário anual compra 1,61 carro do mais barato (kwid = 78400)

2025 teve 4 meses com rendimento negativo e 8 meses com rendimento positivo. Meus investimentos renderam R$ 194’736 o que parece uma boa bolada, mas considerando o montante investido é um rendimento anual de 8,02%, acima da inflação, mas muito abaixo da SELIC.

Minhas despesas ficaram em R$ 5’663; um recorde. Achei que seria mais cauteloso em gastar na IF, mas ter mais tempo livre leva a mais gastos. É bom que quem está se planejando leve isso em conta e preveja um aumento das despesas da ordem de 20%. De qualquer forma os gastos ficaram abaixo do teto que era R$ 9’628. Gastos é uma coisa que você não precisa correr atrás, ele vem naturalmente. Outro erro é viver gastando exatamente o teto de gastos, pois existem custos que estão acontecendo e você não vê: o lugar onde você mora vai se desgastando e em algum momento exigirá reparos, suas roupas, eletrônicos, tudo que você tem, terá que ser substituído. Só a viagem que fiz no final do ano custou R$ 13800, ou R$ 1150 de despesa extra por mês. Então se você gasta todo o dinheiro no dia a dia, fatalmente passará aperto para manter seus bens (e a qualidade de vida) em um bom patamar de conservação.

Mas o maior ganho financeiro se deu em uma área bem específica.

No meu auge salarial eu já de cara deixava anualmente uma bolada de R$ 55’000 em IR para o governo. Mais R$ 11’800 de INSS. Um total de R$ 66’800. Uma alíquota efetiva de imposto sobre a renda de 24,30%.
Ou seja, do que eu produzia, ficava efetivamente para mim 75,7% o resto era perdido em tributação da renda e do trabalho. Aqui estou ignorando os impostos sobre consumo, da ordem de 30%, que continuarão os mesmos trabalhando ou não.

Hoje de IR da previdência privada vou pagar R$ 5’851 e do tesouro Educa+ R$1’100 ao ano. Total R$ 6’951. Considerando apenas a renda tributável é uma alíquota efetiva de 7,77%. Se levar em conta minhas rendas isentas a alíquota efetiva cai para 5,52%. 
Ou seja, o que fica efetivamente para mim agora é 94,48% da renda. Uma diferença brutal.
Uma vez me perguntaram sobre os custos de trabalhar, ai está o maior custo de trabalhar, que fica bem oculto.
Alegra-me imensamente contribuir menos, ou melhor ser coagido menos, a pagar bolsa família para venezuelanos e sala vip para juízes.

O balanço que eu faço desse primeiro ano de IF é muito bom. É muito bom nunca precisar acordar cedo, é muito bom poder se dedicar ao que quiser livremente, é muito bom fazer as coisas porque quer e não por dinheiro.
Agora vem o lado sombrio, sabe aquelas coisas que você vinha adiando, alegava não ter tempo para fazer? Pois bem, eram só desculpas, e agora você tem que encarar que você não fez porque não quis.
Outra coisa é o que meus avós já diziam “cabeça vazia, oficina do diabo” e é verdade, tive um problema de saúde na família e em uma vida normal de trabalho os problemas vão se sobrepondo então você não fica tão agarrado em um deles apenas. Agora na minha vida “sem problemas” e com tempo infinito, eu senti que qualquer problema se amplifica 10x, ele fica te perseguindo, te corroendo dia após dia, sem escape. Por isso disse que precisava de férias, para fazer coisas diferentes, mudar a rotina, parar de pensar todo dia na mesma coisa.


Patrimônio de JAN/2026

Patrimônio = R$ 2’405’898,26
Aporte = R$ -299,09  (-0,01% patrimônio)
Rentabilidade = -0,88%, acumulado 12m = 8,21%
Inflação = 0,35%, acumulado 12m = 2,78%
CDI = 1,16%, acumulado 12m = 14,43%

Renda dos FII = R$ 5’880,01
Renda da PP = R$ 5’572,88
Renda do Tesouro = R$ 1’207,77
Renda Total = R$ 12’660,66
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000

Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.

O tigrinho soltou a carta, digo, o FGC finalmente pagou os apostadores do Banco Master. Eu tinha pouco mais de 100k nessa jogada e o medo é que ficassem enrolando anos para pagar.
Quase tudo foi reinvestido no tesouro, com taxas muito boas, IPCA+7,8% no Educa+ 2031, taxas inclusive maiores do que eu tinha nos CDBs. Será que o governo pagando mais que um banquinho falido quer dizer alguma coisa?
De qualquer forma esse dinheiro recebido do Master possibilitou eu concluir a compra do Educa+ 2031, inclusive 4 anos antes do prazo, então agora posso me concentrar em comprar o Renda+ 2035. Esse mês também comecei a receber a renda do Educa+ 2026, começou a aparecer a terceira perna do meu tripé de renda. 
Resultado da carteira foi horrível, mesmo a bolsa voando, esse é o preço de quase não ter RV aqui. Bitcoin e dólar arrastaram os resultados para baixo.



Ad augusta, per angusta.

14 comentários:

  1. Grande mendigo, tudo bem?

    Obrigado por compartilhar todos os detalhes da sua vida pós-FIRE, me chama atenção que suas despesas são baixas (na casa dos $ 5.663 em 2025).

    “ter mais tempo livre leva a mais gastos”

    BINGO!

    Sempre tive essa percepção também, principalmente porque o leque de possibilidades devido ao tempo livre aumenta de maneira brutal, levando de forma deliberada (ou não) a novas atividades ou custos.

    Abraços.

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    1. Eu achei as despesas altas sendo elas para uma pessoa, com imóvel próprio, que só fez uma viagem e nem tem carro. Estou pensando em comprar o carro, o que adicionaria pelo menos mais 1200 por mês de despesa.
      Abraços.

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  2. pratique musculação.
    invista nos EUA

    abs!

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  3. Olá, Mendigo!
    Que bom poder aprender com o seu resumo do primeiro ano de IF.

    O ponto que mais me chamou a atenção foi a questão da alíquota efetiva do I.R. Na pessoa física, acabamos pagando até 27,5% (menos a parcela a deduzir), enquanto nos investimentos alguns ativos são isentos e outros ficam em 15% após dois anos.

    Dei uma olhada rápida na minha ficha financeira de 2025 e percebi que minha alíquota efetiva de I.R ficou em 19,64%.

    Sobre o Tesouro Educa+, você teve algum problema com o desconto do IR? Vi algumas pessoas comentando que certas corretoras não fizeram o desconto no primeiro pagamento do Educa+ 2026.

    Abraço

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    1. Minha alíquota efetiva do IR ficava por volta dos 20%. Veja que eu nem sou anarcocapitalista, que acha que pagar imposto é inerentemente errado, enxergo como uma taxa para viver em sociedade. O problema é o Brasil, que cobra impostos no nível Noruega e entrega serviços nível Burundi, ai fica difícil engolir.
      Quanto ao Educa+ 2026, o meu foi descontado certo.
      Abraços.

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  4. É sempre um prazer poder acompanhar sua vida FIRE. Em relação a sua família e conhecidos eles sabem que você é FIRE? Como eles enxergam a situação de você ficar em casa.

    Uma das coisas que eu tenho medo é de ficar muito tempo perdendo tempo com besteiras quando finalmente ficar no FIRE. Acredito que morar com uma pessoa que trabalha de casa vai me ajudar a ser produtivo por que acho que vai rolar uma auto cobrança para eu não ficar muito a toa. É só uma suposição, mas acho que morando sozinho sem ter alguém te "fiscalizando" talvez fique mais fácil de procrastinar.

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    1. Eu sou bem reservado, contei para membros mais chegados da família apenas um ano depois de ter abandonado o emprego. O que eles acham? Sei lá, eu moro sozinho e relativamente longe, então não estou sujeito a nenhum tipo de pressão.
      O ser humano sempre desperdiça o que lhe sobra, com tempo não seria diferente. Mas não é todo o ponto? Parar de monetizar o seu tempo, parar de deixar que outros controlem o seu tempo. Explorar outras possibilidades de vida além das expectativas comuns da sociedade sobre você. Abandonar um chefe no local de trabalho para ter um chefe em casa, me parece um mau negócio. Mas isso sou eu, cada pessoa vai buscar o nível de liberdade e independência que for melhor para si. Sempre é valida a máxima, quanto mais liberdade, mais responsabilidade.
      Abraços.

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  5. Aumento considerável das despesas após a IF, de fato, mas ainda assim a taxa de retirada está abaixo de 3% do patrimônio. É um patamar bem seguro, tem espaço pra aumentar os gastos e acomodar as despesas do futuro carro.

    Depois do primeiro ano de IF, como você vê a parte social? Dá um alívio não ter que lidar com pessoas chatas com quem você só se relacionava por causa do trabalho, ou acaba fazendo falta não ter tantas interações? Claro, estou supondo que a rotina de quem alcança a IF envolve menos socialização do que a de quem é assalariado.

    Abraço!

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    1. A socialização no trabalho eu considero de má qualidade, mesmo que você goste de algum colega de trabalho, sempre terá os que você não gosta muito e terá que encontra-los dia após dia mesmo assim, então essas interações não fazem falta.
      As outras interações sociais considero que fiquem no mesmo nível, pois quem atingiu a IF tem tempo de sobra, mas as outras pessoas continuam na rotina delas. Então não espere encontrar os amigos em uma terça feira, vocês continuam fazendo as coisas em sextas, fim de semana e feriados.
      Então o dia a dia acaba sendo mais introspectivo e você faz as coisas sozinho, a não ser que seu circulo de amizades seja composto por também aposentados.
      Abraços.

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  6. "O balanço que eu faço desse primeiro ano de IF é muito bom. É muito bom nunca precisar acordar cedo, é muito bom poder se dedicar ao que quiser livremente, é muito bom fazer as coisas porque quer e não por dinheiro."

    Você precisou ou tentou fazer as pessoas ao seu redor entender essa vantagem da IF e conseguiu mostrar isso para alguém?

    Talvez seja confusa minha questão, mas vejo, com as pessoas próximas que elas parecem não entender meu plano de IF para atingir justamente este estado de despreocupação com o básico do dia a dia, e inclusive pessoas que podem me atrapalhar nessa meta por não entender isto.

    Outras dúvida é se voce pretente fazer um post compilando a sensaçãso que teve a cada instante rumo a IF... talvez quando ia alcançando as chamadas "metas " de 100k, 500k, 1M, 2M... seria interessante entender o caminho "psicológico' disto... como voce começa a enxergar os gastos, se o padrão de vida, ainda que mais lentamente vai mudando mesmo antes da meta.. se tem pontos de 'virada' ou quando voce 'percebe' que conseguiu chegar lá... ou se é tudo tão gradativo que voce vai chegando sem nem perceber...

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    1. Já faz um tempo que não tento convencer ninguém de nada, eu sigo meu caminho, cada pessoa tem a sua jornada. FIRE é coisa de nicho, as pessoas querem gastar loucamente o que tem e o que não tem. Depois que você conquistou algo elas até podem admirar isso, mas de forma alguma vão querem passar pela jornada, pagar o preço.

      Quanto as metas de dinheiro, é tudo meio chato. Foi mais emocionante os primeiros 10k, 50k, 100k, depois você vai se dessensibilizando com dinheiro. Até acho que é normal essa perda de sensibilidade, mas é crucial essa desvinculação emocional do dinheiro. Pois conforme o patrimônio aumenta, as variações dele são cada vez mais significativas e mais difíceis de suportar. Lembro que na pandemia eu tive a maior perda em um mês e foi na casa dos 100k. Isso era o equivalente de muito tempo de trabalho, era o preço de um bom carro, que eu não tinha comprado para ver os investimentos crescerem e agora aquilo tinha sumido sem eu aproveitar nada.

      Não teve virada alguma, atingir a IF é só continuar fazendo por anos o que você já fez por anos. Quando você chega perto da meta sua meta da IF volta a ter alguma emoção. Você vai examinar de perto se aquela meta genérica que você estabeleceu ainda faz sentido nesse momento de vida. Vai ficar desconfortável, igual um cachorro que perseguiu um carro por tanto tempo e quando o alcançou não sabe o que fazer. Você vai se dar conta que está prestes a entrar em uma fase bem mais complexa. Pois a fase de acumulação não é fácil, mas é simples. E viver a IF envolve tentar se equilibrar frente a um problema insolúvel, pois você não sabe quanto tempo vai viver e não sabe quanto seus investimentos vão render.
      Abraços.

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