É muito comum ver as novas gerações chorando, ai como a vida é difícil, ai na idade em que eu estou agora meus pais já tinham 2 filhos e imóvel, enquanto eu não consigo ter nada.
Faz parecer que o mundo era um conto de fadas e agora, na vez deles, ficou muito pior.
Eles convenientemente ignoram que a vida era simplesmente muito diferente. No tempo dos meus pais, o comum era o ensino fundamental, isso, você não ouviu errado, para quem nasceu na década de 50, o normal era 4 anos de estudo. Para estudar mais já tinha que fazer uma espécie de vestibular. Curso técnico? Era uma elite de profissionais muito bem pagos. Faculdade? Coisa dos filhos dos 1% mais ricos, valia muito prestigio e muito acesso.
Para as pessoas normais, como meus pais, o que sobrava? Começar a trabalhar aos 12 anos de idade. Ai você olha aquelas pessoas aos 30, com a vida encaminhada e ignora que elas já trabalham há 18 anos. Parece irônico, mas meus pais, com 4 anos de estudo, foram leitores ávidos até o fim da vida, enquanto o jovem tem diversas bibliotecas de Alexandria na palma da mão, uma IA que pode servir de tutor do nível que só reis do passado tinham acesso e além de não lerem nada, ainda ficam fritando o cérebro em vídeos de poucos segundos.
Vamos comparar com o que é hoje. A pessoa passa 12 anos para concluir o ensino médio, e na grande maioria dos casos ainda sai analfabeta funcional ou com um nível muito baixo de proficiência. As estatísticas são:
7% Analfabetos - Não conseguem realizar tarefas simples de leitura.
22% Rudimentar - Leem palavras ou frases isoladas e localizam uma informação explícita (como o preço em um anúncio), mas não entendem o parágrafo inteiro.
Ou seja, 29% estão no terreno do analfabetismo funcional.
36% Elementar - Leem e compreendem textos simples e médios de rotina (como mensagens curtas e notícias diretas).
25% Intermediário - Conseguem dar conta de narrativas mais longas e encontrar dados implícitos, mas ainda patinam em análises profundas ou textos técnicos estruturados.
10% Proficiente - Decodificam textos complexos, tabelas cruzadas, dados numéricos complexos e expressam argumentos consistentes.
Então essa massa de pessoas com ensino deficiente é jogada em faculdades que na melhor das hipóteses, não tem como, em alguns anos, arrumar o que foi estragado em mais de uma década. E na hipótese mais provável, só quer ganhar uns trocados vendendo um diploma que terá muito pouco valor prático.
Medições internacionais confirmam a péssima educação brasileira, com o país ficando consistentemente nas últimas posições. Então o grande estelionato foi esse, mantiveram as pessoas cada vez mais tempo na escola, mas em uma escola de péssima qualidade. E depois prometeram para semianalfabetos que eles virariam “dotô”, seriam respeitados e teriam acesso a ótimos salários, mas só os fizeram perder mais tempo em faculdades caça-níquel e ainda terminar endividados.
No fim esse monte de diplomas que não valem nada, apenas levou a uma inflação de credenciais. Agora se exigem um curso superior para qualquer trabalho básico, que não exigiria faculdade, mas que o empregador pode exigir simplesmente porque tem gente suficiente com diploma para ele colocar mais esse filtro. Então temos uma massa de pessoas frustradas, com razão, que perderam anos de vida sendo enganadas.
O descaso do Brasil com a educação beira o criminoso. Diversos governos impuseram uma carga tributária comparável à de um Estado de bem-estar social europeu, mas sem entregar os serviços correspondentes em educação, segurança e infraestrutura. Esse custo Brasil sufocou a capacidade das empresas de crescer e gerar empregos de alta qualidade, penalizando justamente a nova geração.
A vida no passado não era mais fácil, mas era uma vida de mais oportunidades, assentado em dois aspectos: o êxodo rural e o bônus demográfico.
Com o êxodo rural existia todo um país para ser construído, enquanto o bônus demográfico mantinha a economia aquecida apenas por estar entrando mais gente nova.
Esses dois pilares não mais existem, o país é um fazendão desindustrializado e o bônus demográfico acabou.
A vida é assim, existem coisas que estão no controle das pessoas e existem conjunturas que vão arrastar todo mundo independente da vontade. Os jovens foram ferrados por uma combinação de fatores, mas não se pode tirar toda a responsabilidade da mão das pessoas. Faz parte da vida identificar da melhor forma possível as mudanças que estão ocorrendo no mundo e tentar tirar o melhor proveito disso. Durante o começo da revolução industrial eu tenho certeza que algum jovem ficou preso em uma guilda de artesãos, aprendendo uma profissão só porque foi isso que várias gerações antes dele fizeram, em vez de aprender como operar e manutenir as novas máquinas, que no fim, eram o futuro.
Patrimônio OUT/2026
Patrimônio = R$ 2’423’153,66
Rentabilidade = -0,72%, acumulado 12m = 0,24%
Inflação = 0,97%, acumulado 12m = 4,22%
CDI = 1,09%, acumulado 12m = 14,30%
Renda dos FII = R$ 4’882,08
Renda da PP = R$ 5’590,70
Renda do Tesouro = R$ 1’423,94
Renda Total = R$ 11’896,72
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000
Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.
Sobre as eleições nem tem muito o que falar, Lula conseguiu uma vitória histórica.
O Brasil virou uma grande várzea, um vale tudo judicial. Não acho que a interferência do STF tenha mudado o resultado, foi uma diferença muito grande de votos, foi apenas a últimas de uma série de decisões medonhas que o judiciário tem tomado.
Indicar o Flávio, todo sujo de escândalos de corrupção, foi também apenas a última decisão burra de uma grande série de decisões burras da direita.
Lições que a gente tira dessa eleição, é que o povo simplesmente não se importa com corrupção, pois no primeiro turno 93% dos eleitores escolheram essas duas desgraças.
E que o povo também não liga para o país caminhar para 20 anos de estagnação. 2010-2020 foi uma década perdida, com a maior recessão da história. 2020-2030 começou com uma pandemia, seguiu por um governo medíocre que conseguiu ter resultados fiscais piores que a pandemia sem pandemia. E o resto da década é sombrio, pois quem não fez nada por 20 anos, não vai fazer nada agora, pois nem enxerga que há um problema a se resolver.
Temos um cenário geopolítico cada vez mais desafiador, gastos públicos cada vez de pior qualidade, a economia cada vez mais negligenciada e o Brasil cada vez mais entregue a bandidos em todos os níveis institucionais.
O que sobra para você, caro cidadão, que não tem uma tetinha para mamar, não importa em quem você votou, é acordar cedo e pagar a conta calado. Viva a democracia.
Vote com os pés e com a carteira.
Não financie quem te odeia.
Ad augusta, per angusta.
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