sábado, 1 de agosto de 2026

E o consórcio de carro? É bom? Cuidado com o que você aprende em casa. E atualização do patrimônio de JUL/2026

“A verdadeira justiça social não é o Estado dar o peixe, e sim parar de tributar a vara de pesca.”

Como parece que consórcio vai virar o novo COE e por eu estar envolvido na busca (quase impossível) do carro ideal, resolvi falar do assunto. Terminei de juntar o dinheiro para comprar o carro, agora falta escolher qual comprar, algo bem desafiador, tentar equilibrar: desejo, preço, custos de manutenção, de seguro, desvalorização, confiabilidade.

Saber o que não se quer já ajuda e eu não quero carro só a gasolina, pois hoje o combustível é adulterado por força de lei, logo vão colocar 50% de etanol, quem tem carro a gasolina se ferrou. Outra coisa que eu não quero é um carro elétrico, sei que virou moda, mas para mim é insanidade pegar esses carros com autonomias horríveis para ser o único carro, talvez faça sentido para quem trabalha de uber ou 99% do uso do carro seja trajetos curtos, não é meu caso. Existem elétricos com boa autonomia (mais de 500 km), mas custam mais de 300 mil, beeeem fora da faixa que estou querendo gastar. Um híbrido faria mais sentido, mas como eles ainda são novidades, também estão acima do que estou disposto a pagar, e como não pretendo rodar tanto, esse gasto a mais não se paga, além do mais mesmo essa pretensa economia de combustível pode ser anulada por um carro com seguro mais caro e maior desvalorização.

Interessante como adquirir um carro não é apenas comprar um bem utilitário, ele vem embalado em muitas decisões emocionais. Veja por exemplo os novos elétricos e híbridos chineses, para algumas pessoas comprar esses carros é um grito de ódio contra as montadoras tradicionais, que nos mantêm como reféns há décadas fazendo o governo erguer barreiras para evitar a concorrência. E é claro que tem o clássico mostrar valor para a sociedade através da posse de um carro bom. Já que estou pagando caro eu quero ser admirado, quero que as pessoas olhem para o carro que escolhi e vejam meu bom gosto, quero que admirem, que vejam como eu me dei bem na vida. Quem não quer ser validado por suas escolhas? Pois é, eu também sou humano.

Eu queria gastar até uns 60 mil reais, mas pesquisando carros automáticos nessa faixa só apareceu bomba: batidos, de leilão, com mais de 12 anos de uso. Eu estava com esses valores na cabeça da época que vendi meu carro em 2020, mas parece que depois da pandemia o mercado foi e não voltou. Ali pelos 90 mil começam a aparecer algo aceitável. Mais aí você pensa: vou gastar 100 mil para pegar algo aceitável? Vou colocar mais 10 ou 20 mil e pagar algo que realmente goste, que dê prazer em ter e dirigir.

Então estimo que terei que gastar o dobro do que pretendia inicialmente. É a vida. Se ficar pensando muito não compro nada, fiz um levantamento e gasto R$ 3600 de uber por ano, isso mal paga o IPVA do carro. No fim, nossas escolhas determinam o tamanho da nossa vida, é muito confortável não ter carro e usar só uber, tão confortável que eu estou me enrolando para comprar o carro, mas dentro desse conforto ficam de fora as viagens incríveis que eu fiz de carro, os passeios decididos de última hora, o as vezes apenas entrar no carro, colocar uma boa música, e sair pela madrugada apenas observando a fauna noturna, dirigindo sem destino.

Meu pai sempre teve uma estratégia bem definida para trocar de carro, o consórcio. Funcionava assim, sempre que ele terminava de pagar um consórcio, começava a pagar outro. Eu criança, observando isso, achava genial, pois parecia ser uma estratégia ótima para sempre conseguir trocar de carro sem muito sofrimento. A sorte ditava quando trocaria de carro, ele fazia consórcios de 72 meses, então no máximo em 6 anos estaria de carro novo, quase, com certeza, muito antes disso.

Olhando hoje eu consigo ver quanto dinheiro é jogado fora por utilizar consórcio em vez de simplesmente poupar para trocar de carro.
Simulando um consórcio de 100 mil com prazo de 72 meses (6 anos) dá uma parcela de R$ 1556.
Se você colocar esse mesmo valor todo mês no tesouro SELIC, alcança os 100 mil em 51 meses, ou seja, em um pouco mais de 4 anos tem o dinheiro suficiente para trocar de carro.
Deixou de pagar quase 2 anos de parcela para o consórcio, um valor de aproximadamente 33 mil, um terço do valor do carro.

Mas depois de 4 anos o valor do carro não vai mais ser 100 mil? Então quem poupa não vai conseguir comprar o carro. Está certo, mas as parcelas do consórcio também aumentam conforme o carro fica mais caro.
Se der lance consegue o carro antes no consórcio. Tudo bem, mas se colocar o dinheiro do lance na conta de poupar, também consegue comprar o carro antes. Por exemplo considerando 30 mil de lance, conseguiria poupar o valor do carro em menos de 3 anos.

Sem falar na flexibilidade, poupando, caso tenha algum mês mais apertado, pode simplesmente deixar de poupar aquele mês sem consequências. Se fizer mais horas extras pode poupar mais e acelerar a compra do carro. Se deixar de pagar o consórcio pode ficar com o dinheiro preso até ser contemplado e ainda perder (mais) do dinheiro em multas. Caso já tenha sido contemplado pode perder o bem e ser incluído no Serasa.

Então tem que ficar atento com as coisas que aprendemos em casa. As vezes há novas formas melhores de fazer as coisas. Não podemos também ser muito criticos, pois o tesouro direto nem existia antes de 2002. Talvez com a hiperinflação dos anos 80 e 90, consórcio fosse um bom negócio. Lembro de ter lido um livro do Gustavo Cerbasi onde ele indicava usar cartas de consórcio contemplada como uma boa forma de alavancar o patrimônio.


Patrimônio JUL/2026

Patrimônio = R$ 2’318’491,92
Aporte = R$ -2318,86 (-0,1% patrimônio)
Rentabilidade = -1,35%, acumulado 12m = -3,66%
Inflação = -0,05%, acumulado 12m = 4,49%
CDI = 1,12%, acumulado 12m = 14,43%

Renda dos FII = R$ 6’007,71
Renda da PP = R$ 5’572,88
Renda do Tesouro = R$ 1’407,66
Renda Total = R$ 12’988,25
Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500
Piso de renda 2026 = R$ 9’000

Plano de investimento para 2026:
Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.
Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.
Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.

Tomei uma multa na corretora por saldo negativo. Fiz uma operação de compra e de venda de ativos diferentes no mesmo dia, já fiz esse tipo de operação diversas vezes, sempre contando que a liquidação seria D+2. Eu até vi em algum lugar que a B3 pretendia mudar a liquidação para D+1, só não sabia que ativos diferentes ficariam com prazos de liquidações diferentes. Então a compra liquidou D+1 e a venda D+2, deixando o saldo negativo por um dia e gerando a cobrança da multa. O complicado que não há a informação clara sobre o prazo de liquidação de cada ativo. Depois de perguntar para 3 IAs e as 3 alucinarem e darem respostas diferentes, acabei matando a charada, ETF de renda variável são D+2 e ETF de renda fixa são D+1. Então a corretora fez o certo e eu paguei pela ignorância. O que eu achei engraçado é que todas as IAs foram extremamente belicosas, querendo que eu abrisse reclamação na ouvidoria, CVM, falasse com o supervisor de backoffice ou de risco operacional. Por isso é bom sempre confirmar as coisas antes de embarcar nessas alucinações da IA, as desgraçadas conseguem ser muito convincentes mesmo estando erradas, isso ainda vai dar muita merda.






Ad augusta, per angusta.

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