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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Lambanças com high yield e atualização do patrimônio de MAI/2026

 “A arte pode ser uma janela e a arte pode ser um espelho. Porém grande arte… a grande arte é as duas coisas. - Clair Obscur.


Os americanos têm um ditado clássico: "Fool me once, shame on you. Fool me twice, shame on me." Em bom português: “Me engane uma vez, a culpa é sua; me engane duas vezes, a culpa é minha.”

Ou seja, cair em um golpe uma vez? O demérito é todo do golpista. Cair no mesmo golpe de novo? Talvez parte do problema seja de quem caiu.

Mas o que dizer do idiota aqui, que caiu três vezes na mesma armadilha?

Existe outro ditado que diz que na internet todo mundo só expõe o seu melhor. Pois eu vou contrariar a lógica do Instagram: vou contar como eu destruí parte do meu patrimônio com péssimos investimentos.

O Começo de Tudo: A Venda do Carro

O ano era 2021. Ainda na incerteza da pandemia, fui mandado para o regime de home office. Como eu não saía para lugar nenhum, meu carro ficou lá, pegando poeira na garagem.

Eu já estava com ele há seis anos e pretendia trocá-lo em breve. Pensei: “É o momento perfeito para vender”.

O preço de tabela era R$ 50 mil. Como era um carro de mercado difícil e com algumas manutenções pendentes, eu aceitaria R$ 40 mil. No fim, pelo contexto da pandemia e pela pressa de evitar contato com muitos compradores, fechei por R$ 35 mil.

Dá para considerar que o “preço justo” seria R$ 42 mil. Como vendi por R$ 35 mil, começamos com uma perda inicial de R$ 7 mil. Mas isso era fichinha perto do que viria.

Round 1: O Canto da Sereia do HCTR11

O que fiz com o dinheiro? Separei R$ 5 mil para um investimento qualquer (que nem lembro) e coloquei R$ 30 mil em um FII que estava bombando na época: o HCTR11 (sim, podem rir).

Paguei R$ 120 por cota, comprando 250 cotas. Na época, elas me pagavam R$ 500 por mês de rendimento. Minha conta de padeiro foi linda: em 24 meses eu receberia R$ 12 mil em proventos, o que compensaria totalmente o prejuízo da venda do carro.

Só que o mercado não quis seguir o meu roteiro:

  • Em 6 meses, o rendimento caiu de R$ 500 para R$ 400.

  • Após 12 meses, caiu para R$ 275.

  • Mais 6 meses se passaram e o valor desabou para R$ 125.

Dos R$ 12 mil que planejei ganhar, recebi apenas R$ 9,5 mil. E o pior: as cotas que valiam R$ 30 mil viraram R$ 14 mil. Prejuízo líquido: R$ 18 mil.

Round 2 e 3: A Ilusão da Diversificação em High Yield

Na minha cabeça, a estratégia de investir em fundos high yield (de alto risco e alto retorno) fazia sentido. Qual era a minha tese?

  1. Que esses fundos dariam problema em algum momento, mas até lá, já teriam pago tanto rendimento que a perda da cota valeria a pena.

  2. Se eu diversificasse em outros fundos da mesma categoria, diminuiria o risco.

Foi assim que nasceram os aportes no DEVA11 e no CACR11.

No DEVA11, calcular o prejuízo é até difícil porque cometi outra clássica "sardinhada": fui comprando mais enquanto a cota caía para fazer preço médio, apostando na recuperação. Comparando meu preço médio com o valor atual, o prejuízo passa de R$ 40 mil.

Eu tinha investido menos no DEVA11 do que no HCTR11 inicialmente. Isso mostra como o hábito de comprar ativos ruins só porque estão "baratos" é um comportamento extremamente destrutivo para o patrimônio.

Já o CACR11 aguentou firme por alguns anos. Mas, recentemente, o fundo não pagou dividendos, e a cota despencou. O prejuízo na tela foi de R$ 35 mil.

Esse, pelo menos, durou tempo suficiente para render R$ 11 mil a mais do que se eu estivesse em um fundo conservador. Descontando isso, o prejuízo real ficou em R$ 24 mil. (Para o fundo empatar, ele precisaria rodar sem problemas por 9 anos. Improvável).

O Saldo do Desastre: R$ 90 mil evaporados

Somando tudo (e em contas de padeiro, sem colocar inflação na conta, o que deixaria o cenário mais horripilante), eu destruí R$ 90 mil.

Mas aqui entra o ponto crucial. Diante de tantas trapalhadas, como eu não fui à ruína? Como eu ainda consigo viver de renda hoje?

Porque eu nunca deixei que nenhum desses ativos representasse mais do que 2% do meu patrimônio total.

Só a diversificação salva. Imagine se, na empolgação dos dividendos gordos, eu tivesse colocado 10%, 30% ou 50% do meu capital nessas teses furadas? Ou pior, dado um all-in como o saudoso blogueiro Pobretão de Vida Ruim fez no passado com uma única ação?

O maior trabalho de um investidor não é achar a próxima grande porrada do mercado; é evitar a ruína. É se manter vivo no jogo para permitir que o tempo e os juros compostos trabalhem.

As lições que ficam:

  • Diversifique de verdade: Não adianta pulverizar o dinheiro em 10 fundos se todos possuem o mesmo perfil de risco de crédito destrutivo.

  • Ativo ruim não vale a pena: Não importa o quão barato pareça estar, sempre pode cair mais. O caminho natural de coisa ruim é valer cada vez menos.

  • Você vai errar: Aceite isso. O segredo é garantir que os seus erros sejam pequenos o suficiente para não te tirarem do jogo.

  • Dá para vencer mesmo cometendo burrices: Você só precisa gerenciar o tamanho do erro, aprender com ele e focar em evoluir.



Patrimônio MAI/2026


Patrimônio = R$ 2’384’902,02

Aporte = R$ 440,00 (0,02% patrimônio)

Rentabilidade = -0,57%, acumulado 12m = 1,81%

Inflação = 0,64%, acumulado 12m = 3,46%

CDI = 1,07%, acumulado 12m = 14,71%


Renda dos FII = R$ 4’495,00

Renda da PP = R$ 5’572,88

Renda do Tesouro = R$ 1’253,29

Renda Total = R$ 11’321,17

Renda máxima utilizável 2026 (TSR 5,2%) = R$ 10’500

Piso de renda 2026 = R$ 9’000


Plano de investimento para 2026:

Comprar pelo menos R$ 2’500 em cotas de FII por mês.

Comprar pelo menos 1,3 título Renda+ 2035 por mês.

Elevar a reserva de emergência visando comprar um carro.


Pedi para a IA formatar e deixar o texto mais legível. E acabei achando o texto da IA melhor que o meu. O ponto negativo é, será que caminhamos para tudo ficar com “cara de IA”? No meu caso não vejo grandes perdas, afinal, não sou um Saramago escrevendo. Acho que entramos na era em que o padrão IA torna-se o padrão mínimo, eleva a régua, e quem quer se destacar precisa fazer melhor. Para a grande massa de medíocres, a IA vai fazer melhor, mais rápido e mais barato.

 

A minha queda nos rendimentos dos FII foi maior do que só o CACR11 não pagando, fui rastrear e descobri que o XPIN11 também não pagou. Fui ver porque e descobri que o fundo está sendo liquidado. Fui pego de surpresa, esse é meu nível de acompanhamento. FII eram para me pagar certinho todo mês, não ficar tendo rolo todo mês.




Ad augusta, per angusta.

10 comentários:

  1. Boa reflexão. Importante é se manter vivo. Eu opero opções desde 2020 e de lá até 2024 ganhei 65 mil reais. Em 2025 tentei ser mais agressivo, estudei basteite e perdi 100 mil reais, tempo de vida e saúde.

    Fica de aprendizado.

    Meu patrimônio é parecido com seu e apesar do tombo ainda estou vivo e sigo a vida.

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    1. Pois é, o ego e a ganancia sempre vem nos derrubar.
      Abraços.

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    2. Oi, Mendigo. Permita-me discordar, achei seus textos anteriores tao bons ou até melhores que esse último em questão de estilo da escrita e narrativa. Acho que essas estruturas por tópicos cortam um pouco o fluxo da narrativa, mas aí é gosto pessoal mesmo.
      Com relação aos fiis, fico surpreso que você os tenha em carteira sem acompanhá-los minuciosamente. Na minha opinião, é um produto que demanda acompanhamento constante, pois muitos eventos mudam a vida de um fundo, conforme você mencionou no xpin.
      Sei que você não pediu conselhos, rs, mas ou largaria a classe dos fiis inteiramente se não quer acompanhar ou invista nas melhores gestoras exclusivamente, leia-se kinea principalmente ( tem tb algumas outras boas, mas pra simplificar fiquei na kinea).
      Abs,

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    3. O que eu achei que ficou horrendo nesse post é a consistência de tipagem e tamanho de fontes. Blogs são uma coisa de nicho, com uma audiência mais qualificada, então talvez essa simplificação e clarificação que a IA traz, não seja necessária, e o que traga charme para a coisa seja tudo feito artesanalmente.
      Nos FII confesso que não tenho animo para ler os relatórios gerenciais. Penso que a taxa cobrada, que não é barata, pressupunha uma gestão profissional dos ativos, o que nem sempre se provou verdade.
      O que eu estou fazendo é limpando a carteira, tirando as "pimentinhas", buscando a qualidade. É um trabalho chato e demorado, então estou fazendo aos poucos, e comecei pelos FII de papel, que pareciam mais críticos. Devo passar os próximos meses entretido nisso.
      Abraços.

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  2. Fala Mendigão! Como você está? Cara, como você aporta R$440 reais num PL de R$2,3M? Isso faz alguma diferença pra você? Essa renda vem do trabalho? Mas você não já é aposentado?
    Interessante esse aspecto da sua alocação de risco e do all-in. Tem uma passagem famosa, que certa vez o Warren Buffet recomendou pro Bill Gastes diversificar. Ele o fez atingindo um PL de 138 B. Se não tivesse feito teria um PL de 1.3T.
    (fonte reddit hahaha https://www.reddit.com/r/investimentos/comments/1axzrab/diversificar_ou_n%C3%A3o_diversificar/)
    É bom pela ótica do risco, e as vezes ruim pela ótica do rendimento. O próprio Barsi recomenda ter 20 ações na carteira. Nunca li oficialmente, mas já me peguei escutando isso em alguns videos.
    Quando fiz mestrado em finanças na Suíça eles explicaram que high yield na verdade era chamado de junk bonds. Só por aí você pega a referência do lixo que era.
    E por último, certa vez fui me aventurar num leverage trading com um PL na corretora de R$ 500k e perdi todo o principal de R$ 500k. Sem leverage teria tido um ganho de R$1M.... Foi a compra do BTC a $40k...

    Abraços!
    FG

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    1. O aporte é por definição salário menos gastos, então hoje é o quanto eu recebo da previdência privada (um recebimento de fora do patrimônio) menos os gastos do mês. Depois da IF tem muito mês que o aporte fica negativo, ou seja, tenho que gastar parte do patrimônio para cobrir as despesas, totalmente esperado para quem está vivendo de renda.
      Abraços.

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  3. Fala mendigo tudo bem?

    Erros fazem parte da nossa jornada e principalmente, do nosso aprendizado.

    Com todo o contexto, conhecimento e principalmente, sequência dos fatos ocorridos, fica fácil agora de chamar de “erro simples”, “erro crasso”, etc.

    Quando tomamos uma decisão, o cenário sempre é dominado pela incerteza e ausência de informações, fazendo com que tenhamos que realizar a escolha baseado não só nas informações que tínhamos, mas principalmente no nosso conhecimento e maturidade a época da decisão.

    O importante sempre é tirar os aprendizados e seguir em frente.

    Abraços.

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    1. Os erros poderiam ter sido menos caros, mas quando não dói de verdade parece que não aprendemos.
      Abraços.

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  4. Fala Mendigo Investidor, blz? Após ler seu post fico me perguntando quando conseguimos classificar um ativo como ruim? Digo isso pois muitos ativos chegam a cair 40% a 50% e voltam a subir. Quando olhamos weg3, radl3, itub4 e outros tantos outros casos, temos quedas durante o caminho da acumulação e a longo prazo são ações que entregram muito. Como conseguimos evitar esses ativos ruins? Fico me perguntando pois já me peguei diversas vezes fazendo preço médio em ativos e nunca tenho certeza se é uma armadilha ou oportunidade. Em relação a concentração, concordo plenamente. Acho que é o risco mais mensurpavel e que mais salva o portfolio a longo prazo. Perder 10% do portfolio pode doer, mas nunca te leva a ruina. Agora sempre me deu mal quando quis compensar um erro feito no passado. Acho que acontece com outros investidores também! belo post e obrigadi por dividir. Abs

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    1. Acho que é impossível evitar que eventualmente algum ativo dê errado, pois é da natureza do investimento. Todo investimento é uma especulação acerca do futuro.
      Em ações não sei dizer, pois desisti de comprar individuais e invisto apenas na bolsa brasileira apenas por DIVO11 e BDEF11.
      No caso desses FII de papel que deram errado o problema foi os gestores não fazerem o básico, diversificar, pois se desse problema em 2% ou 5% da carteira, sem problemas, mas quando ruiu vimos que 80% da carteira era podre.
      Outro problema é que em tese haviam garantias para o empréstimo, mas como são FII de papel eles financiam a construção, assim quando algo dá errado, se eles executarem a garantia vão ficar com uma obra inacabada, que precisaria de mais dinheiro para ficar pronta, e valem menos do que o dinheiro emprestado. Então nesses casos dos FII de papel que dão errado quase sempre é armadilha, pois eles caem em um buraco muito difícil de sair, pois a forma de resolver seria captando mais dinheiro, mas quem vai dar mais dinheiro para quem transformou R$100 em R$20?
      Abraços.

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